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A aposta da FS, de etanol de milho, para crescer no Brasil, segundo o BTG

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
6 maio, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Relatório do banco aponta que, com o biocombustível, empresa busca consolidar sua posição no mercado, apesar dos desafios financeiros e do cenário competitivo

A FS Bioenergia consolidou sua posição como a terceira maior produtora de etanol do Brasil, fundamentada em um modelo de negócios que desafia os padrões tradicionais do setor sucroenergético.

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A companhia adota uma lógica de “eficiência estrutural”, enquanto mantém um perfil financeiro de risco elevado por opção estratégica, mostra relatório do BTG divulgado nesta quinta-feira, 30. Segundo o banco, a FS combina a produção de etanol com um modelo de baixo custo, altamente eficiente.

“A FS Bioenergia alia forte eficiência operacional a um modelo de baixo custo baseado no milho, o que garante margens de lucro superiores às de seus concorrentes do setor canavieiro”, afirmam os analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio, Karen Yaginuma e Fernando Soares.

Ao contrário das usinas de cana-de-açúcar, que enfrentam sazonalidades e interrupções de safra, a FS opera suas plantas 24 horas por dia, sete dias por semana, com uma disponibilidade operacional superior a 99%.

O grande trunfo da empresa, segundo o BTG, está na monetização dos coprodutos. “A combinação de forte eficiência operacional com o modelo de milho de baixo custo estrutural inclui compensações significativas de custos com subprodutos de nutrição animal (45% dos custos do milho)”, afirma o relatório.

Esses produtos, conhecidos como DDGs (grãos de destilaria secos), permitem à FS manter margens Ebitda entre R$ 1 e R$ 1,2 por litro ao longo do ciclo. Em fevereiro deste ano, a empresa realizou a primeira exportação de DDG de alta proteína do Brasil para a China, com o envio de 3 mil toneladas.

No processo de conversão do amido do milho em combustível, as partes restantes originam um farelo: o DDGS ((grãos de destilaria secos com solúveis), ingrediente altamente nutritivo utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

A expectativa é de que a demanda de DDGS pela China atinja 7 milhões de toneladas anuais – um mercado de pelo menos R$ 7,8 bilhões, considerando o preço médio de R$ 1.120 por tonelada. É mais uma oportunidade no crescente setor de etanol de milho que, estima-se, movimentará R$ 31 bilhões em 2026.

O relatório do BTG também revela que a empresa compensa aproximadamente 45% dos custos do milho com a venda de coprodutos para a nutrição animal e usa biomassa para alimentar suas operações, garantindo uma posição estratégica vantajosa.

O momento é favorável, pois a produção de etanol no Brasil, especialmente o derivado do milho, está em forte ascensão. O país é um dos maiores produtores globais do biocombustível, com cerca de 36 bilhões de litros por ano.

Desse total, 72% vêm da cana-de-açúcar e 28% do milho, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). A participação do milho cresce rapidamente: na safra 2020/21 foram 2,6 bilhões de litros, e na safra 2025/26 a produção aumentou 30%, totalizando 10,17 bilhões de litros.

Neste ano, dizem os analistas do BTG, a produção de etanol da companhia deve chegar a 3,3 bilhões de litros por ano, com a inauguração de uma planta em Campo Novo do Parecis, prevista para dezembro de 2026 – o objetivo é dobrar a produção para cerca de 6 bilhões de litros até 2030, com investimentos de R$ 10 bilhões.

Apesar do crescimento acelerado, a FS opera com uma estrutura de capital alavancada, com uma meta de alavancagem líquida em torno de 3x. Para os analistas do banco, a empresa distribui dividendos elevados enquanto continua a investir pesadamente em expansão.

“A FS busca maximizar o crescimento e os retornos para os acionistas, adotando uma política agressiva de alocação de capital”, afirmam os analistas.

Etanol de milho

Embora o cenário do etanol continue promissor, o relatório do BTG aponta que a FS pode enfrentar desafios nos próximos anos, especialmente em razão da pressão sobre os preços do etanol e às intervenções no mercado de combustíveis no Brasil.

A previsão é de que o preço do etanol caia 10% em 2026/27, com uma média de R$ 2,60 por litro. A oferta do produto deve crescer significativamente com a expansão da produção de milho e cana-de-açúcar, enquanto a demanda se manterá estável, com um crescimento projetado de apenas 2% ao ano.

“Apesar do aumento no preço do petróleo, o cenário de oferta e demanda no mercado de etanol será mais desafiador do que o esperado, com uma expectativa de redução nos preços”, afirmam os analistas.

Além disso, o aumento da oferta pode gerar um desalinhamento entre o preço do etanol e o da gasolina no mercado interno, o que pode impactar as margens da empresa.

Por: César H. S. Rezende Fonte: Exame

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