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IG4 negocia compra de dívida da Raízen e mira comando da empresa reestruturada

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
23 junho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Gestora pretende liderar recuperação da produtora de açúcar e etanol após acordo envolvendo R$ 65 bilhões e afirma ter recursos para comprar créditos da companhia e alcançar participação de controle de 50,1%

Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A empresa de private equity IG4 Capital afirmou que dispõe de capital suficiente para comprar a dívida da Raízen SA inteiramente em dinheiro, se necessário, enquanto busca adquirir uma parcela suficiente da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para chegar a uma participação acionária de 50,1%.

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No início deste mês, a Raízen obteve a aprovação dos credores para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, na maior reestruturação extrajudicial da história do Brasil.

A empresa, de propriedade conjunta da Shell e da Cosan, tem enfrentado dificuldades devido a uma série de decisões estratégicas equivocadas, altas taxas de juros e safras fracas. De acordo com o plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital social.

“Não se trata de um boato de mercado; nossa oferta está sobre a mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora para aqueles que desejarem”, afirmou o sócio fundador Paulo Mattos em entrevista à Bloomberg News.

A IG4 tem até março do próximo ano para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos.

A empresa não planeja uma abordagem hostil em relação aos credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo o preço, seriam negociados.

Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficariam abaixo dos preços de mercado.

Mattos afirmou que a IG4 pretende assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de recuperação, e não apenas oferecer consultoria aos credores ou estruturas de financiamento. Ele disse que a base de credores está muito fragmentada e em conflito para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar todas as ações que adquirir por meio da compra de dívidas em um fundo de investimento, oferecendo aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos vinculados a uma venda futura, disse ele.

“As negociações estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles deseja ações do fundo, enquanto outros estão solicitando derivativos”, disse Hélio Novaes, diretor executivo da IG4. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, afirmou.

A IG4 já realizou conversas informais com a FTI Consulting, que assessora os bancos, a Moelis, que assessora os detentores de títulos globais, e a Journey Capital, que assessora os detentores de títulos locais, segundo Novaes.

A partir desta quarta-feira (24), a empresa planeja se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, ouvir o que eles desejam e preparar uma proposta para cada um.

As negociações estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para fechar um acordo.

“Parece que grande parte dos detentores de títulos locais e globais prefere receber dinheiro”, disse Novaes.

Alguns credores têm se mostrado céticos e confusos em relação à oferta, em parte porque a IG4 já administra uma reestruturação complicada na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais termos lhes serão oferecidos.

Mattos afirmou que a IG4 é independente do Banco BTG Pactual, e refutou a confusão do mercado sobre a relação entre as duas instituições.

O BTG, assim como o Bradesco e o Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos uma gestora de ativos totalmente independente”, afirmou ele.

A Raízen possui 32 fábricas, das quais 24 estão em operação, disse Novaes. “Precisaremos realizar um estudo detalhado para identificar quais delas devem receber investimentos e quais não”, disse Novaes, acrescentando que os indicadores de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser aprimorados para aumentar o valor.

A ideia é também negociar um plano com a Shell, que continuará sendo um acionista relevante e injetará 3,5 bilhões de reais, disse ele. A Cosan não injetará capital e terá sua participação acionária fortemente diluída.

De acordo com o plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a empresa de distribuição de combustíveis.

Ainda não há definição sobre quanto da dívida será atribuída a cada empresa nem qual será o valor de cada negócio. A empresa de distribuição será vendida, de acordo com o plano.

O valor de mercado da Raízen é atualmente de R$ 4,35 bilhões, o que significa que 80% da empresa valem R$ 3,48 bilhões. Esse é o valor que os credores, detentores de pouco mais de R$ 29 bilhões em dívidas, receberiam se seus créditos já tivessem sido convertidos em participações acionárias e vendidos a preços de mercado.

Fonte: Bloomberg

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