Companhia elevou processamento de cana-de-açúcar em 20% na temporada 2025/26

Maior acionista da Copersucar, a Zilor foi uma das usinas associadas à gigante de açúcar e etanol que escapou da quebra de safra em 2025/26 e registrou crescimento tanto na moagem de cana como nos resultados financeiros. O lucro líquido ajustado da companhia encerrou a temporada em R$ 107,7 milhões, quase cinco vezes acima do resultado da safra anterior.
Na safra passada, a Zilor contou com as operações adicionais da Usina Salto Botelho, planta que a empresa comprou no fim da temporada anterior e deu forte contribuição para a moagem. Segundo André Inserra, CEO da Zilor, os canaviais da usina tiveram desempenho melhor que o esperado, e a moagem do polo de Quatá, onde está a usina, ajudou a compensar o impacto que episódios de geada tiveram sobre as lavouras do polo de Lençóis Paulista.
A companhia processou 12,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um salto de 20% em relação à safra anterior. E, apesar da safra considerada “desafiadora” por Inserra devido à queda dos preços do açúcar e às oscilações no câmbio, a companhia aumentou sua receita líquida em 10,1%, para R$ 3,6 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 20%, para R$ 1,3 bilhão, um recorde.
O principal avanço ocorreu no negócio de etanol, cuja receita teve um incremento de 22% e alcançou R$ 1,3 bilhão. Segundo Inserra, a Zilor iniciou sua moagem com foco na produção de açúcar, mas em meados do segundo semestre migrou seu mix para o etanol, que passou a oferecer remuneração melhor. “A Copersucar começou a alertar que a demanda estava crescendo, e mudamos o mix”, disse.
A companhia também teve alta nas receitas com as vendas de açúcar e energia. No caso da cogeração, o resultado também foi fortalecido pela maior capacidade de cogeração na Usina Barra Grande, plenamente utilizada.
Os resultados foram utilizados para desalavancar a companhia e melhorar o perfil da dívida. No fim da safra, a dívida líquida da Zilor representava 1,1 vez seu Ebitda, abaixo de 1,6 vez de um ano antes.
Para Inserra, a Zilor alcançou o nível de alavacancagem esperado, mas isso não significa que a empresa deve relaxar. “Com essa taxa de juros, requer atenção, de qualquer forma”, disse. Segundo ele, a despesa com juros em 2025/26 já ficou acima do esperado.
Para a safra atual, o executivo vê no momento “margens um tanto quanto apertadas” e pretende focar em economia de custos e despesas — com exceção do canavial, que é o que garante os resultados das safras futuras. “Estamos revisando indicadores e buscando melhores práticas”.
Por ora, a companhia espera enfrentar a safra pela frente com um caixa de R$ 2,5 bilhões, suficiente para cobrir quatro anos de compromissos financeiros, e espera ainda aumentar o volume de cana processado.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural
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