
A produção brasileira de etanol de milho poderá alcançar entre 16 bilhões e 17 bilhões de litros a partir de projetos já contratados ou em estágio avançado. A projeção foi apresentada durante a Reunião Anual Fermentec 2026 por Renato Pretti, CEO da Cerradinho, ao analisar o ritmo de expansão do setor e os desafios para absorver a nova oferta.
Segundo o executivo, o Brasil produziu aproximadamente 10 bilhões de litros de etanol de milho na safra passada. O volume deve ficar próximo de 12,5 bilhões de litros na atual e pode alcançar cerca de 15 bilhões de litros na próxima safra.
Na Cerradinho, a produção de etanol de milho começou em novembro de 2019. Atualmente, a unidade processa entre 3,3 mil e 3,4 mil toneladas de milho por dia, com previsão de consumir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas do cereal ao longo do ano.
A entrada nesse segmento transformou o perfil da companhia. Na equivalência entre as matérias-primas processadas, o milho representa atualmente cerca de 70% do volume da Cerradinho, enquanto a cana-de-açúcar responde pelos outros 30%.
Crescimento aumenta pressão sobre preços
Apesar do avanço da produção, Pretti alertou que os preços atuais estão pressionando a rentabilidade dos projetos. No momento da apresentação, a paridade do etanol estava em aproximadamente 58%, cenário que, segundo ele, reduz as margens operacionais e aumenta as dúvidas de novos investidores.
O executivo também destacou que o crédito está mais restritivo e que o endividamento das empresas do setor vem aumentando. Grupos de produtores interessados em investir em novas unidades também enfrentam dificuldades relacionadas aos preços agrícolas, ao financiamento e ao conhecimento necessário para operar plantas industriais.
Para equilibrar o crescimento da oferta, Pretti defendeu a criação de novas alavancas de demanda. Nas estimativas apresentadas, a reforma tributária poderia abrir um mercado doméstico adicional de 1,5 bilhão a 2 bilhões de litros, enquanto uma eventual adoção do E35 poderia acrescentar cerca de 1 bilhão de litros sobre a demanda do E32.
Outra possibilidade está no mercado norte-americano. De acordo com o CEO da Cerradinho, a adoção do E15 nos Estados Unidos poderia elevar o consumo local de etanol de aproximadamente 50 bilhões para 80 bilhões de litros. Para ele, o crescimento continuará, mas o setor precisará ampliar mercados, elevar a eficiência e acompanhar com atenção a velocidade de entrada de novos projetos.
Por: Fábio Palaveri | Portal Visão Agro
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