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PF prende foragido por adulteração de combustíveis em postos de Curitiba (PR)

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
11 agosto, 2026
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Tempo de leitura: 7 minutos
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Investigações apontaram que investigados forneciam menos combustível do que o indicado na bomba, ou aumentavam a quantidade de etanol adicionado à gasolina

A Polícia Federal (PF) prendeu na quinta-feira, 6, em Curitiba (PR), um homem que estava foragido da Justiça e é investigado por lavagem de dinheiro em um esquema de adulteração em postos de combustíveis. O G1 apurou que o preso é Felipe Renan Jacobs e aguarda resposta da defesa dele.

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Investigações da Polícia Federal apontam que Jacobs era um dos integrantes de um grupo autointitulado “diretoria”, responsável por controlar a operação de empresas que eram usadas como fachada para lavagem de dinheiro de uma organização criminosa.

Ao longo das investigações, a PF analisou 50 postos de combustíveis de Curitiba e região metropolitana. Elas apontaram que o esquema acontecia de duas formas: fornecendo menos combustível do que o indicado na bomba ou aumentando a quantidade de etanol adicionado à gasolina.

Em outubro de 2025, quando a operação foi deflagrada, o G1 divulgou a lista com os nomes dos postos investigados. Desde então, muitos desses postos foram vendidos para outros donos, que não são alvos da PF. Por esse motivo, a lista não consta nesta reportagem.

Segundo a PF, a prisão de Jacobs foi possível após o desenvolvimento de trabalho de inteligência e investigação para localizar o homem. Após os procedimentos de polícia judiciária, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Esquema em grupos de WhatsApp

Conforme a Polícia Federal, os investigados gerenciavam lucros, adulteração e fraudes por meio de um grupo de WhatsApp. A contabilidade do esquema era registrada em planilhas que apontavam o lucro de cada posto, assim como a distribuição do valor entre os integrantes. Um deles chegou a lucrar quase R$ 249 mil em um mês.

Segundo o relatório da Polícia Federal, entre as evidências da lavagem de dinheiro, está a “quantidade colossal” de depósitos fracionados em dinheiro que os postos começaram a registrar logo depois de serem adquiridos pelo grupo criminoso, com um volume em média 187% maior, conforme a investigação.

“Enquanto os postos fora do controle do grupo tiveram uma média mensal de depósitos no valor de R$ 95,6 mil por posto, aqueles sob controle dos investigados perfizeram o valor médio de R$ 276,3 mil”, detalha o relatório.

Gasolina a menos e qualidade inferior

Durante as investigações, agentes da Polícia Federal coletaram, disfarçados, as amostras de gasolina comum para a investigação. Em 46 deles, a perícia comprovou algum tipo de irregularidade. Deles, 28 postos eram administrados pelo grupo criminoso.

As coletas aconteceram entre os dias 26 de maio e 6 de junho de 2025. Segundo o laudo da perícia ao qual a RPC teve acesso, apenas seis das 50 amostras coletadas apresentaram a quantidade correspondente ao que estava descrito na nota fiscal fornecida pelos postos.

Nos outros 44 casos, os postos forneceram menos combustível do que o indicado na bomba, com diferenças que variaram de 1% até 8,1% a menos do que o pago pelo consumidor. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) determina que a variação aceitável entre o volume real e o informado é de até 0,5% para mais ou para menos.

A perícia também analisou se o aspecto, o teor de etanol e a massa específica estavam dentro das especificações de qualidade determinadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A análise apontou que 28 das 50 amostras apresentaram qualidade inferior à exigida. Na análise da aparência, uma amostra foi reprovada, porque não apresentou aspecto límpido, homogêneo e isento de impurezas.

Em relação ao teor do etanol adicionado à gasolina, 28 amostras apresentaram valores acima do permitido.

Nesta avaliação, as amostras reprovadas tinham de 35% a 79% de álcool misturado à gasolina – na época da coleta das amostras, a margem de variação aceitável era de até 2% para mais ou para menos.

Conforme as investigações, a adulteração dos sistemas acontecia, inclusive, por meio de um aplicativo, diretamente no celular. A prática, conforme a Polícia Federal, além de configurar crime, causa danos diretos aos veículos dos consumidores e aumenta artificialmente o lucro dos criminosos.

A polícia decidiu não indiciar os responsáveis por seis dos postos que apresentaram inconformidades na época. Segundo o relatório, apesar de terem apresentado inconformidades relacionadas à volumetria do combustível, a Polícia Federal não identificou outros elementos que permitam concluir a intenção de estelionato por parte dos responsáveis.

As irregularidades em todos os postos serão apuradas em um procedimento administrativo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Ligação com o crime organizado

A investigação demonstrou que a fraude nos postos era a base de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado. Os lucros obtidos enganando o consumidor eram injetados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, utilizando empresas de fachada e “laranjas” profissionais para ocultar a origem ilícita dos recursos.

De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2023, quando um homem condenado por tráfico internacional e a esposa passaram a ostentar bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

O casal tinha mais de R$ 34 milhões sem origem lícita comprovada, aplicados em imóveis, veículos, barcos e outros artigos de luxo.

Durante as apurações, os agentes descobriram que eles se associaram a integrantes de uma empresa de produtos químicos e de uma distribuidora de petróleo com sede administrativa em Pinhais e sede operacional em Paulínia (SP).

Utilizando a empresa, os investigados compraram insumos como nafta e metanol, usados em misturas ilegais de combustíveis.

Em 2019, eles criaram uma distribuidora de petróleo que, entre 2020 e 2023, declarou faturamento de mais de R$ 7 bilhões. Segundo a PF, a companhia foi criada e funcionou com recursos ilícitos.

A investigação apontou que essa distribuidora estava ligada a pessoas citadas em esquemas de fraude de combustíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, inclusive com conexões com facções criminosas.

A PF explicou que a lavagem de dinheiro seguia três etapas: colocação, dissimulação e integração.

  1. Colocação: o dinheiro ilegal entrava na economia formal por depósitos em espécie, muitas vezes fracionados em pequenas transações, além de transferências feitas por empresas de fachada registradas em nome de laranjas.
  2. Dissimulação: os valores circulavam entre diferentes empresas do grupo, com simulações de operações e fraudes fiscais.
  3. Integração: os recursos voltavam ao mercado como se fossem legais, registrados em contabilidade fraudulenta da distribuidora.

Ao todo, foram identificados R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem comprovada. Parte do dinheiro foi disfarçada como “adiantamento de clientes” ou movimentada por postos e lojas de conveniência.

Os valores eram transportados em carros-fortes de empresas de pagamento também controladas pelo grupo.

Além disso, R$ 148 milhões entraram diretamente nas contas da distribuidora; R$ 203 milhões foram depositados nas contas de postos e conveniências; R$ 163 milhões foram para uma instituição de pagamentos do próprio grupo, usada como “barreira” para ocultar a origem; R$ 80 milhões foram distribuídos em contas de 13 operadoras financeiras; e R$ 482 milhões vieram de empresas de fachada ligadas a São Paulo.

Mais de 120 empresas suspeitas ainda transferiram cerca de R$ 1,4 bilhão sem qualquer justificativa. No total, os investigadores estimam que mais de R$ 20 bilhões tenham circulado entre 2019 e 2025 em empresas sem declarações fiscais correspondentes.

Por: Fábio Amato e Mariah Colombo | Fonte: G1

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