Novos mercados para biocombustíveis ampliam alternativas para descarbonizar setores de difícil eletrificação

O avanço dos biocombustíveis para além do abastecimento convencional de veículos começa a abrir novas frentes para a transição energética no Brasil. O primeiro abastecimento de um navio com etanol realizado no país e o uso de biometano no transporte rodoviário de açúcar foram temas do encontro do Lide Agronegócio durante a Fenasucro & Agrocana 2026 realizada na semana passada em Sertãozinho (SP).
Com o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo”, o evento reuniu o ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean-Paul Prates e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.
Araújo detalhou a operação realizada em julho, a primeira de abastecimento de uma embarcação com etanol no Brasil. O navio, com capacidade para transportar até 13 mil contêineres, recebeu 500 toneladas do biocombustível, fornecidas por meio de uma barcaça.
A operação abre uma nova possibilidade de uso para o etanol brasileiro e pode contribuir para posicionar o país como ponto de abastecimento de embarcações internacionais.
A iniciativa ocorre em um segmento considerado de difícil descarbonização, no qual alternativas aos combustíveis fósseis precisam combinar escala, disponibilidade e infraestrutura de abastecimento.
Biometano no transporte de açúcar
Outra frente tem sido aberta pelo uso de biometano no transporte rodoviário.
Por meio do Programa BioRota, a Copersucar já utiliza atualmente 80 caminhões movidos a biometano. Segundo a empresa, os veículos já transportaram mais de 1 milhão de toneladas de açúcar das usinas até o Porto de Santos e terminais de transbordo.
Para Henrique Araújo, a expansão dessas aplicações mostra que a transição energética brasileira não precisa colocar em lados opostos agronegócio e produção de combustíveis renováveis.
De acordo com ele, o Brasil não precisa escolher entre agronegócio, biocombustíveis e transição energética, uma vez que essas frentes podem avançar juntas e constituem ativos energéticos, ambientais e geopolíticos para o país.
Biocombustíveis em setores de difícil eletrificação
Na avaliação de Jean-Paul Prates, o avanço dessas tecnologias acompanha uma tendência de diversificação das alternativas para reduzir as emissões nos transportes.
Segundo ele, combustíveis renováveis para navios, SAF para a aviação e biometano para caminhões podem ocupar espaços específicos na transição energética, principalmente em segmentos nos quais a eletrificação enfrenta maiores desafios técnicos ou de infraestrutura. Segundo ele, são soluções de vanguarda para descarbonizar a cadeia de transportes.
Prates também destacou a combinação de fontes fósseis e renováveis como uma característica da matriz energética brasileira. Para ele, o desafio é integrar essas diferentes alternativas de forma estratégica.
Na avaliação de Victor Bermudes, presidente do Lide Ribeirão Preto, a discussão realizada na Fenasucro & Agrocana está diretamente relacionada à estrutura econômica da região, marcada pela presença da agroindústria e da produção de energia renovável.
Já Claudia Toniello, conselheira do Lide Agronegócio, destacou a importância de aproximar o debate sobre transição energética da sociedade.
O movimento de expansão dos biocombustíveis para o transporte marítimo, rodoviário e aéreo mostra uma mudança no papel atribuído à bioenergia. Além de substituir combustíveis fósseis em veículos leves, etanol, biometano e outros combustíveis renováveis passam a disputar espaço em cadeias logísticas e segmentos industriais nos quais a eletrificação ainda encontra limitações.
Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil,
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