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Brasil projeta alta de 20% nas exportações de etanol

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
19 agosto, 2026
em Bioenergia
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia
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Volume esperado para a safra 2026/27 pode chegar a 1,53 bilhão de litros, impulsionado pela produção recorde

O Brasil deve aumentar as exportações de etanol na safra 2026/27, mesmo após um início de ciclo mais fraco no mercado externo. A expectativa é de que os embarques alcancem 1,535 bilhão de litros, alta de cerca de 20% em relação aos 1,28 bilhão de litros exportados na safra anterior, segundo levantamento da Argus.

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A expansão ocorre em um cenário de produção recorde de etanol no Brasil, impulsionada principalmente pelo avanço do etanol produzido a partir do milho. A Conab projeta uma produção de 40,68 bilhões de litros na safra 2026/27, o maior volume da série histórica de 21 anos.

Segundo Maria Ligia Barros, responsável pela precificação de etanol da Argus, o crescimento da produção de milho tem mudado a dinâmica do mercado brasileiro e tende a ampliar a necessidade de buscar novos destinos para o combustível.

“Essa safra de 2026/27 é marcada pela expectativa de uma produção recorde de etanol, muito fundamentada na expansão da produção a partir do milho”, afirmou.

O etanol de milho ganhou espaço no Brasil nos últimos dez anos e passou a ter papel relevante no crescimento da oferta nacional. Além da expansão das plantas de milho, a produção da safra atual também deve ser favorecida pela recuperação dos canaviais após a seca de 2024 e por um menor direcionamento da cana para a produção de açúcar.

Janela de exportação

Apesar da expectativa de aumento dos embarques no acumulado da safra, as exportações começaram 2026/27 em ritmo mais fraco.

Entre abril e junho, o Brasil exportou 168,7 milhões de litros de etanol. Em julho, foram mais 178,5 millhões de litros. Com isso, cerca de 1,18 bilhão de litros ainda precisariam ser embarcados entre agosto de 2026 e março de 2027 para que a projeção de 1,535 bilhão seja alcançada.

O problema é que a janela de competitividade que favoreceu o produto brasileiro no mercado internacional é curta.

“Abriu-se uma janela de oportunidade em meados de julho, para embarques em mercados onde o Brasil compete com os Estados Unidos. O etanol brasileiro ficou mais competitivo que o dos Estados Unidos nesses mercados”, explicou Maria Ligia.

Segundo ela, a janela já foi encerrada, o que concentra boa parte dos embarques contratados entre julho e setembro.

Entre os destinos que aparecem nas negociações estão Índia, Nigéria, Filipinas, Coreia do Sul e países europeus.

A competitividade brasileira, porém, não depende exclusivamente do preço do etanol americano. Há mercados considerados mais tradicionais, com fluxos relativamente estáveis de compra do produto brasileiro, como Coreia do Sul e Japão.

“Boa parte do mercado externo faz essa arbitragem e escolhe com base no que está mais competitivo”, disse a especialista.

Etanol americano pode voltar a ganhar espaço

A disputa com o produto dos Estados Unidos deve voltar a pesar nos próximos meses. Historicamente, o etanol americano tende a ficar mais competitivo entre outubro e março, período de menor consumo de combustíveis no hemisfério Norte.

Por isso, agentes do mercado avaliam que há pouca probabilidade de uma nova janela de exportação tão favorável ao Brasil até o fim da safra.

Ao mesmo tempo, a trajetória dos preços domésticos brasileiros pode reduzir o espaço para novas vendas externas. O etanol hidratado negociado em São Paulo chegou a R$ 2.513 por mil litros em 28 de julho, menor nível desde março de 2024. Desde então, recuperou cerca de R$ 230 por mil litros chegando a R$ 2.743 por mil litros em 13 de agosto.

A alta reduz a competitividade do produto brasileiro no exterior e mostra como a disponibilidade interna e os preços domésticos também são determinantes para a estratégia de exportação.

Produção crescente exige novos mercados

Para Maria Ligia, o aumento das exportações não deve ser interpretado apenas como uma resposta à eventual sobra de produto no mercado doméstico. A expansão da produção brasileira cria uma necessidade estrutural de ampliar a demanda.

“Existem os dois fatores juntos. Tem a questão do preço, do que é oportunidade, e tem também esses custos já cativos, que já existem, já estão no planejamento das usinas e dos produtores”, afirmou.

A especialista destaca que o setor busca desbloquear novos mercados para absorver o crescimento da oferta, inclusive fora do uso tradicional do etanol como combustível rodoviário.

Entre as possibilidades estão aplicações na aviação, com o combustível sustentável de aviação (SAF), e no transporte marítimo.

Intensidade de carbono pode favorecer Brasil

Além do preço, a intensidade de carbono pode abrir espaço para o etanol brasileiro em determinados mercados.

Segundo Maria Ligia, o etanol de cana produzido no Brasil apresenta menor intensidade de carbono que o etanol de milho dos Estados Unidos. O etanol de milho brasileiro também pode apresentar vantagem nesse quesito em relação ao produto americano.

Essa característica ganha relevância principalmente na Europa, onde políticas de descarbonização podem diferenciar combustíveis de acordo com a matéria-prima e a intensidade de carbono.

A especialista ressalta, porém, que a vantagem ambiental não garante automaticamente maior demanda. “As regras variam de acordo com cada mercado, inclusive em relação à classificação entre etanol de primeira e de segunda geração”, diz

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil

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