Plano para biogás e biometano reúne 10 iniciativas prioritárias, incluindo setor de transportes e agroepcuária

A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) divulgou nesta quinta (20/8) o Plano para o Desenvolvimento dos Setores de Biogás e Biometano, com medidas para criar novas demandas e mobilizar R$ 216 bilhões em investimentos privados até 2035.
Segundo a associação, o plano será apresentado a representantes do setor produtivo e do poder público, nas próximas semanas, dando início a uma agenda de articulação para avançar com as propostas.
Em entrevista ao estúdio eixos na semana passada, a presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, contou que a agenda estratégica também será entregue aos candidatos à Presidência e a governos estaduais na corrida eleitoral de 2026.
Na ocasião, Napolitano também adiantou algumas propostas do setor para alavancar a demanda, como a contratação anual de 400 MW de térmicas a biogás nos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs).
O plano divulgado nesta quinta parte do diagnóstico de que a elevada dependência brasileira de determinados combustíveis e insumos importados aumenta a exposição do país a choques externos de oferta e preços, especialmente no caso do diesel e dos fertilizantes.
A associação calcula impactos econômicos superiores a R$ 110 bilhões associados a essas vulnerabilidades e defende que o desenvolvimento da cadeia de biogás e biometano podem ajudar a reduzir a dependência externa, na medida em que ampliam a oferta doméstica de energia.
Segundo o estudo, o Brasil possui potencial de produção de até 120 milhões de m³/dia de biometano, enquanto o aproveitamento atual ainda representa menos de 2% desse volume.
Dez iniciativas
O plano da ABiogás propõe 10 iniciativas prioritárias, passando pelos setores de transportes, geração de energia, novos combustíveis e agricultura sustentável.
Nos transportes, o setor defende a criação de corredores logísticos e medidas capazes de viabilizar, até 2035, a incorporação de mais de 40 mil caminhões movidos a biometano.
Outra prioridade é a expansão do biocombustível em frotas urbanas, com potencial de alcançar 16 mil ônibus em 20 cidades no mesmo período.
Já na agricultura, a expansão da cadeia do biogás para pelo estímulo à produção e ao uso de biofertilizantes.
“O biometano pode ser utilizado tanto como insumo para produção do fertilizante nitrogenado, substituindo o gás fóssil, como também através do digestato, que é um subproduto da produção do biometano”, explicou a presidente da ABiogás na entrevista ao estúdio eixos.
A potencial demanda de setores com metas internacionais de descarbonização e mais difíceis de eletrificar também está no radar. O plano olha para navegação e aviação como novos mercados consumidores de combustíveis avançados a partir do gás originado dos resíduos.
Plano da ABiogás projeta R$ 216 bilhões em investimentos em biogás e biometano até 2035. Foto: du Viana-agência eixos
A presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, durante o 13 Fórum do Biogás, em São Paulo, em 11 de agosto de 2026. Foto: Edu Viana/agência eixos
A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) divulgou nesta quinta (20/8) o Plano para o Desenvolvimento dos Setores de Biogás e Biometano, com medidas para criar novas demandas e mobilizar R$ 216 bilhões em investimentos privados até 2035.
Segundo a associação, o plano será apresentado a representantes do setor produtivo e do poder público, nas próximas semanas, dando início a uma agenda de articulação para avançar com as propostas.
Em entrevista ao estúdio eixos na semana passada, a presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, contou que a agenda estratégica também será entregue aos candidatos à Presidência e a governos estaduais na corrida eleitoral de 2026.
Na ocasião, Napolitano também adiantou algumas propostas do setor para alavancar a demanda, como a contratação anual de 400 MW de térmicas a biogás nos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs).
O plano divulgado nesta quinta parte do diagnóstico de que a elevada dependência brasileira de determinados combustíveis e insumos importados aumenta a exposição do país a choques externos de oferta e preços, especialmente no caso do diesel e dos fertilizantes.
A associação calcula impactos econômicos superiores a R$ 110 bilhões associados a essas vulnerabilidades e defende que o desenvolvimento da cadeia de biogás e biometano podem ajudar a reduzir a dependência externa, na medida em que ampliam a oferta doméstica de energia.
Segundo o estudo, o Brasil possui potencial de produção de até 120 milhões de m³/dia de biometano, enquanto o aproveitamento atual ainda representa menos de 2% desse volume.
Dez iniciativas
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Já na agricultura, a expansão da cadeia do biogás para pelo estímulo à produção e ao uso de biofertilizantes.
“O biometano pode ser utilizado tanto como insumo para produção do fertilizante nitrogenado, substituindo o gás fóssil, como também através do digestato, que é um subproduto da produção do biometano”, explicou a presidente da ABiogás na entrevista ao estúdio eixos.
A potencial demanda de setores com metas internacionais de descarbonização e mais difíceis de eletrificar também está no radar. O plano olha para navegação e aviação como novos mercados consumidores de combustíveis avançados a partir do gás originado dos resíduos.
Entra em cena o desenvolvimento de Bio-GNL, combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês), e-metanol e combustíveis à base de CO₂ biogênico.
A agenda passa ainda por questões regulatórias, como criação de uma instância de governança nacional para articular os diferentes setores relacionados à cadeia produtiva; fungibilidade e previsibilidade do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB); tratamento do biometano na Reforma Tributária; e instrumentos de blended finance.
Segundo as projeções da ABiogás, a implementação coordenada dessas medidas poderá gerar R$ 57 bilhões por ano em receitas adicionais para o setor, além de substituir R$ 42 bilhões anuais em importações e evitar emissões de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano — volume correspondente a aproximadamente 10% das atuais emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil.
Por: Nayara Machado | Fonte: Eixos
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