O valor é 429,3% superior ao registrado no mesmo período anterior, que estava em R$ 14 milhões
A Jalles, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol da região Centro-Oeste e também entre as maiores exportadoras mundiais de açúcar orgânico, registrou prejuízo líquido contábil de R$ 74,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, encerrado em 30 de junho de 2026.
O resultado representa uma alta de 429,3% em relação ao prejuízo de R$ 14 milhões registrado no mesmo período da safra anterior.
Na mesma base de comparação, a receita líquida da companhia recuou 32,6%, para R$ 340,4 milhões. O desempenho ocorreu no primeiro trimestre do ciclo 2026/27, período que concentra o início da moagem e das operações da nova safra de cana-de-açúcar.
Considerando os valores brutos, a receita foi de R$ 397,1 milhões no trimestre, queda de 30,9%. O maior recuo ocorreu nas vendas para o mercado externo, que tiveram baixa de 72% na comparação anual, para R$ 38,4 milhões.
Especificamente, a receita com as exportações de açúcar orgânico caiu 79,2%, de R$ 96,7 milhões para R$ 20,1 milhões.
“A recente implementação de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro adiciona um novo elemento de incerteza ao ambiente comercial. Parte dessas medidas, contudo, também foi aplicada a importantes países concorrentes, como Argentina e Colômbia, reduzindo parcialmente o impacto relativo sobre a competitividade do açúcar orgânico brasileiro”, observa a administração da Jalles.

Quando considerado o resultado líquido em base caixa, o prejuízo foi de R$ 24,2 milhões, uma redução de 39,3% em relação ao registrado um ano antes. A diferença entre os resultados contábil e caixa está relacionada aos efeitos não caixa reconhecidos pela companhia no período.
O Ebitda ajustado (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 157,2 milhões no trimestre, com margem de 46,2%. Já considerando os efeitos dos contratos de hedge, o Ebitda ajustado alcançou R$ 269,4 milhões, levando a margem para 79,1%.
Os números mostram uma diferença relevante entre o desempenho operacional antes e depois dos efeitos de proteção de preços. Com os hedges, o Ebitda ajustado foi R$ 112,2 milhões superior ao indicador sem esses efeitos.

A companhia também manteve os investimentos durante o início da safra e o Capex, excluindo os tratos culturais, totalizou R$ 112,3 milhões no primeiro trimestre de 2026/27. O valor representa uma queda de 14,7% na comparação.
Já com a inclusão dos tratos culturais, os aportes somam R$ 122,2 milhões, retração de 9,3% safra a safra.

“Sob a ótica de investimentos, a Jalles inicia uma nova fase após a conclusão dos principais projetos estruturantes realizados nos últimos anos”, afirma a companhia, que segue: “A estratégia continua voltada para a captura de retorno sobre o capital já investido, com disciplina na alocação de recursos e priorização de iniciativas voltadas ao aumento de produtividade, eficiência operacional e preenchimento da capacidade das unidades industriais”.
Em relação à estrutura de capital, a companhia encerrou o trimestre com alavancagem de 1,6 vez, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. O indicador mostra que a dívida líquida correspondia a 1,6 vez a geração de Ebitda ajustado acumulada em 12 meses.
A posição da dívida líquida no encerramento do trimestre era de R$ 1,89 bilhão, alta de 2,3% em relação a um ano antes.

Moagem e estratégia de produção
A companhia destacou o ritmo de moagem no início da safra como um fator importante para a execução operacional. A manutenção de uma moagem consistente permite à Jalles aproveitar melhor a janela de colheita e reduzir a exposição a possíveis interrupções ao longo do segundo semestre.
A estratégia também busca antecipar parte da operação diante do risco de condições climáticas adversas. Segundo a companhia, fenômenos como o El Niño podem historicamente reduzir o número de dias efetivos de operação durante a segunda metade da safra.
Segundo a Jalles o processamento de cana-de-açúcar no trimestre somou 3,13 milhões de toneladas, alta de 10,1% na comparação anual. O destaque foi para a usina Jalles Machado, em Goianésia (GO), com 1,15 milhão de toneladas e alta de 12,7%.

“Na Jalles, observamos uma retomada significativa dos nossos indicadores operacionais ao longo do trimestre. A produtividade agrícola média atingiu 89,6 t/ha, superando a média do Centro-Sul, de 83,5 t/ha, em 6,1 t/ha”, destaca a mensagem da administração, que acompanha os resultados.
Com uma operação mais concentrada no início do ciclo, a empresa busca concluir a colheita dentro de uma janela considerada mais favorável, preservando os níveis de produtividade e eficiência industrial.
Outro ponto de destaque foi a mudança no mix de produção em que a participação do açúcar caiu para 32,3% no primeiro trimestre da safra 2026/27, ante 47,7% no mesmo período da safra anterior.
“A redução reflete uma decisão estratégica diante das condições de mercado. Para definir a destinação da cana, a companhia considerou fatores como os preços relativos entre açúcar e etanol, a distância até os portos e os incentivos fiscais existentes em determinadas regiões”, informou em comunicado.

A flexibilidade das unidades industriais permite à empresa direcionar a matéria-prima para os produtos com maior retorno econômico em cada momento. Essa capacidade de ajuste também é combinada à estratégia de hedge, utilizada para reduzir a exposição às oscilações de preços e proteger as margens da operação.
Estoques de etanol
No etanol, a companhia adotou uma estratégia de retenção de parte da produção. A decisão considera o atual nível de preços do combustível e a capacidade de armazenamento disponível.
Em vez de comercializar todo o volume produzido imediatamente, a Jalles pretende distribuir as vendas ao longo da safra e buscar períodos de maior atratividade de preços.
Ao final do primeiro trimestre, os estoques de etanol somavam 81,2 milhões de litros, alta de 86% em relação ao mesmo período da safra anterior.
A elevação dos estoques está, portanto, relacionada à estratégia comercial da companhia de postergar parte das vendas e buscar melhores condições de mercado ao longo do ciclo.
Segundo a companhia, as vendas trimestrais do biocombustível caíram 5,9% na base anual, para 72,3 milhões de litros. Já a comercialização de açúcar recuou 30,6% na mesma comparação, indo a 63,2 mil toneladas.

Por: Andressa Simão | Fonte: CNN Brasil com informações adicionais NovaCana
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