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Yara inaugura maior unidade de captura e armazenamento de carbono do mundo na Holanda

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
8 setembro, 2026
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Unidade capturará 800 mil toneladas de carbono que emitidas na produção de amônia da empresa

Projeto envolveu investimento de 200 milhões de euros iniciado há quase três anos — Foto: Divulgação/Yara

A norueguesa Yara inaugurou nesta segunda-feira (7/9) a maior unidade de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) do mundo em Sluiskil, na Holanda, onde a companhia tem seu principal complexo industrial de fertilizantes. O projeto, iniciado há quase três anos, demandou investimento de 200 milhões, e permitirá à Yara reduzir as emissões de seu complexo industrial holandês pela metade e ainda se posicionar no mercado global de adubos nitrogenados como uma fornecedora com baixa pegada de carbono.

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A unidade vai capturar anualmente 800 mil toneladas de carbono que saem da planta de amônia e fará a liquefação do gás. Esse gás carbônico liquefeito será levado por um navio eletrificado para a Noruega, onde será injetado em poços de petróleo e ficará armazenado no subsolo a 2,6 quilômetros de profundidade. Essa operação ficará a cargo da Northern Lights, joint venture entre as petroleiras Equinor, Shell e TotalEnergies.

O projeto foi celebrado pela empresa como uma forma de reduzir o custo atrelado às emissões de carbono e de garantir competitividade no mercado global de fertilizantes. “Os custos de energia altos e voláteis, a intensa competição global e as preocupações crescentes sobre a autonomia estratégica, resiliência de nossas cadeias e nossa base industrial estão colocando as indústrias europeias sob pressão significativa. A resposta não pode ser sacrificar a descarbonização”, afirmou Svein Tore Holsether, presidente da Yara International, durante evento de inauguração.

Como outras grandes indústrias europeias, a Yara recebe permissões de emissões de carbono todo ano, e as emissões que excedem o permitido devem ser compensadas pela compra de créditos de carbono dentro do European Trade System (ETS).

A ideia é que a captura das emissões da planta de amônia compense o valor que a empresa paga para compensar suas emissões excedentes. Atualmente, uma tonelada de carbono no ETS é negociada por 80. “Este é [o valor] que eu não terei que pagar para emitir, mas eu tenho que pagar um tanto para armazenar”, disse Holsether a jornalistas.

Vendas

A companhia também espera vender os fertilizantes da planta de Sluiskil a mercados que paguem um prêmio pelo produto com baixa pegada de carbono. A produção entrará como parte de seu portóflio de produtos de baixo carbono, o Yara Climate Choice, que inclui fertilizantes feitos com gás natural renovável e a partir de hidrogênio verde.

O complexo holandês produz cerca de 5 milhões de toneladas de fertilizantes ao ano, de 20,8 milhões de toneladas de adubos prontos entregues globalmente.

“Precisamos dar um passo adiante no qual cortar emissões e criar valor estão ligados, no qual a descarbonização não seja um custo para ser gerenciado, mas uma posição competitiva para vencida”, afirmou o executivo.

O investimento foi possível devido a um acordo feito em 2019 entre a União Europeia e a Noruega, que permitiu que empresas europeias armazenem seu carbono nos reservatórios noruegueses e com incentivos de Oslo.

A iniciativa da Yara foi celebrada pelos governos da Holanda e da Noruega não só como parte dos esforços da Europa para reduzir as emissões com as quais os países se comprometeram no Acordo de Paris, mas também como uma forma de fortalecer a competitividade europeia no mercado de fertilizantes. O continente depende de 80% de importações para seu abastecimento de gás natural.

O comissário europeu para Clima, Emissões Zero e Crescimento Limpo, Wopke Hoekstra, afirmou durante a inauguração que o projeto da Yara tem importância para as metas climáticas da região e fará diferença na competitividade da indústria europeia. “Precisamos que os fertilizantes sejam mais baratos, mais limpos, e claramente precisamos que eles sejam mais europeus por causa da atual dependência”, defendeu.

Também presente na inauguração o primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, disse que ao reduzir o custo do carbono que incide sobre as indústrias europeias, a descarbonização pode se tornar uma via de competitividade para o continente em meio a desafios globais. “Somos desafiados pelos americanos, pelos chineses, pelos altos preços de energia”, observou.

Por sua vez, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, defendeu, durante a cerimônia de inauguração, mais investimentos em CCS como estratégia de descarbonização das indústrias com emissões “difíceis de abater”, como a do petróleo, commodity da qual a Noruega é grande produtora.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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