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Interesse no mercado de biofertilizantes cresce, mas custo alto é desafio

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
8 setembro, 2026
em Adubos e Fertilizantes, Mercado
Tempo de leitura: 3 minutos
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Home Insumos agrícolas Adubos e Fertilizantes
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Empresas apontam escala baixa e dificuldade logística como outros gargalos do setor

Um dos desafios para o uso do lodo é o rendimento, já que esse biofertilizante é produzido a partir de uma grande massa de resíduos orgânicos, diz Tera — Foto: Divulgação

Embora exista um interesse crescente na produção de biofertilizantes à base de lodo no Brasil, essa alternativa ainda enfrenta desafios relevantes para deslanchar. Entre os entraves listados pelo próprio segmento produtivo estão a escala baixa de produção, o custo elevado do produto final, e uma demanda ainda fraca.

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Segundo Lívia Baldo, especialista em gestão de resíduos e diretora da Tera Ambiental, um dos desafios para o uso do lodo é o rendimento, já que esse biofertilizante é produzido a partir de uma grande massa de resíduos orgânicos.

Para a produção do Tera Base, seu fertilizante orgânico, a empresa processa uma tonelada de resíduos orgânicos, que geram, em média, cerca de 400 quilos de produto final. Por ano, a companhia produz 36 mil toneladas de fertilizante orgânico composto Classe B, peneirado e com 70% de sólidos.

O custo do produto à base de lodo para os produtores rurais é outro desafio. Eduardo Rotta Lovato, diretor de operações da Quattro T, de gestão de resíduos industriais, reconhece que o biofertilizante não compete com os fertilizantes convencionais em preço. Atualmente, o produto atrai a demanda dos consumidores já preocupados em melhorar o perfil dos solos e reduzir seu impacto ambiental.

“Todo processo produtivo necessita de escala, e no caso do biofertilizante é pouco provável termos uma escala industrial em uma única planta produtiva”, afirma Lovato. A logística é outro gargalo. As operações ainda são regionalizadas, e o modal de transporte no Brasil encarece a distribuição em longas distâncias.

Falta ainda clareza regulatória. O Ministério da Agricultura não possui uma classificação específica para os biofertilizantes à base de lodo, que hoje são enquadrados genericamente como fertilizantes orgânicos.

O processo de produção de fertilizante a partir do lodo não é simples, nem rápido. Há etapas de estabilização e higienização, tais como tratamento térmico, compostagem termofílica ou estabilização com óxido de cálcio, que eliminam agentes patogênicos e tornam o material seguro para uso agrícola.

Depois de ser submetido a algum desses processos, o material passa a ser chamado de biossólido e é, então, formulado como fertilizante orgânico, organomineral ou biofertilizante.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2020 determina os critérios e procedimentos para a produção de biossólidos e como devem ser classificados conforme a presença de carga biológica da bactéria Escherichia coli. A regulação estabelece ainda critérios de classificação conforme os elementos químicos potencialmente tóxicos que podem estar no lodo.

Apesar dos desafios, já existem produções relevantes em algumas capitais. No Rio de Janeiro, todo o lodo gerado nas estações de tratamento de efluentes (ETEs) é destinado à Organosolo, empresa responsável pela compostagem termofílica do material e sua transformação em composto orgânico utilizado na agricultura, jardinagem e reflorestamento. Cuiabá também conta com uma operação do tipo, desde 2022.

Por: Naiara Bertão | Fonte: Globo Rural

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