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Carbono Oculto: Beto Louco e Primo são acusados por lavagem de dinheiro em usinas de açúcar

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
8 setembro, 2026
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Tempo de leitura: 5 minutos
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Empresários apontados como líderes do esquema criminoso que teria ajudado o PCC a capturar parte do setor de combustíveis são acusados também de organização criminosa e falsidade ideológica; eles estão foragidos na Líbia e defesas dizem que denúncia é nula e improcedente

PM, Gaeco e MPSP deflagraram uma operação contra o crime organizado • Divulgação/ SSP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, sob as acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica cometidos durante a formação do Grupo Itajobi, em Catanduva (SP), com a aquisição de usinas sucroalcooleiras e a criação de ecossistema criminoso que se espalhou por toda a cadeia do segmento.

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Trata-se da segunda denúncia apresentada pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Carbono Oculto. Esta é a primeira que atinge Primo e a segunda a envolver Beto Loco, os dois principais empresários investigados em razão do megaesquema de fraudes tributárias e dos combustíveis, além da lavagem de recursos supostamente oriundos do crime organizado em postos de gasolina controlados por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Outros sete acusados foram denunciados pelo Gaeco. O Estadão procurou a defesa dos acusados. A defesa de Mohamad afirmou: “A denúncia repete todo o estratagema que a Operação Carbono Oculto vem desenvolvendo desde que foi deflagrada, que é a estratégia da especulação sobre fatos não provados e que são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade.”

Já a defesa de Berto Louco disse que “provará, no curso do processo, a improcedência da denúncia ofertada, demonstrando, outrossim, a nulidade do feito”, no caso em que o empresário é acusado. Primo e Beto Louco procuraram negociar uma delação premiada com a Justiça, mas a oferta foi recusada em São Paulo pelos promotores. Ambos estão foragidos e sempre negaram qualquer relação com o PCC.

O Procedimento Investigatório Criminal estava em curso neste núcleo do Gaeco de São José do Rio Preto. Por meio dele, apurava-se a atuação de uma organização criminosa em toda a cadeia produtiva do setor de combustíveis por meio da reestruturação dos negócios de Beto Louco e Primo após a Operação Cassiopeia, que levou ao fechamento do grupo Copape-Aster em 2023. Isso teria sido feito por meio do grupo Itajobi e do Grupo GGXGlobal.

“O produto e proveito das infrações penais da organização criminosa alcançaram valores bilionários, resultado único e exclusivamente obtido pelos primados da ocultação e fraude”, escreveram os promotores. Para os promotores, os dois chefes da organização tiveram acesso a informações sobre a deflagração da Operação Carbono Oculto e fugiram do país, bem como “adotaram mecanismos para a destruição de provas, bem como a obstrução da investigação criminal”.

Os promotores citaram exemplos dessa ação para sumir com provas das fraudes. “Em relação às buscas e apreensões em pessoas jurídicas, recentes retiradas de estações completas de computadores e os seus respectivos servidores, a exemplo do Edifício K1 na Rua Conselheiro Saraiva, em São Paulo, bem como na Usina Itajobi”.

Os promotores pediram à Justiça que mantenha indisponíveis os imóveis sequestrados durante a Operação Carbono Oculto, além de recursos da Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, bem como o que foi bloqueado nas contas do Pompeia Fundo de Investimentos e Participações e da Monte Bravo Participações.

Os acusados teriam ainda ocultado patrimônio por intermédio da RGP Property Ltda sob a titularidade de Rogério Garcia Peres ao adquirem imóveis em Catanduva. O Fundo Pompeia também teria sido usado como mais uma camada de ocultação do patrimônio, bem como a empresa Scotia Holdings e Participações Ltda, que assumiu o Fundo Pompéia, administrado pela Altinvest. Tudo para dissimular a origem dos recursos: as fraudes cometidas pelo Grupo Aster Petróleo Ltda.

A movimentação de recursos era feita por meio de contas bolsões geridas pela fintech BK Bank Instituição de Pagamento. “As infrações penais antecedentes decorrem de um vasto histórico criminal dos líderes da organização criminosa Roberto, vulgo Beto Louco, e Mohamad, vulgo Primo, perante o setor de combustíveis. Oportuno frisar que o modelo de negócio empresarial que ambos adotaram em suas trajetórias empresariais foram fundados em fraudes. Entretanto, com a constituição da organização criminosa, as fraudes foram multiplicadas e estruturadas sob múltiplas óticas (contra o consumidor, meio ambiente, fisco. etc.) e robustecidas por um sistema de lavagem de capitais sofisticado em consonância com agentes do mercado financeiro”, escreveram os promotores.

Por fim, os promotores concluíram: “A presente denúncia demonstra a aquisição de dois imóveis perante o município de Catanduva que possuem uma função simbólica relevante: trata-se de imóveis adquiridos para a construção da sede do Grupo Itajobi formado pela organização criminosa após a sua expansão perante o setor de usinas sucroalcooleiras no interior do Estado de São Paulo. A obra faraônica demonstra a intencionalidade expansionista da organização criminosa, regada com dinheiro ilícito”.

O que diz a defesa de Roberto Lemos, o Beto Louco

A defesa provará, no curso do processo, a improcedência da denúncia ofertada, demonstrando, outrossim, a nulidade do feito que tramita em Juízo Estadual, o que à toda evidência contraria os termos legais.

O que diz a defesa de Mohamad Hussein, o Primo

A denúncia repete todo o estratagema que a Operação Carbono Oculto vem desenvolvendo desde que foi deflagrada, que é a estratégia da especulação sobre fatos não provados e que são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade. E que não é possível, a partir da denúncia, extrair qual é o fato que está sendo objeto da acusação. É uma denúncia de 300 páginas, da qual nem sequer é possível apontar qual é o crime antecedente que seria objeto de lavagem. Ora a denúncia fala de contexto, ora ela fala de outros processos em curso, de operações investigatórias que vieram antes, para no fim repetir aquela narrativa especulativa: de que há um grande processo de lavagem sem explicar qual é o dinheiro que está sendo lavado, proveniente de onde e de que maneira se dá a alegada lavagem.

Por: Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Felipe de Paula | Fonte: O Estado de S. Paulo 

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