Alta do combustível afeta operações agrícolas e logística enquanto experiências no setor mostram possibilidade de substituir parte do diesel por gás produzido a partir de resíduos da própria cana
O preço médio do diesel S-10 chegou a R$ 7,33 por litro no Brasil na semana de 20 a 26 de setembro, alta de 2,8% em relação à semana anterior, segundo dados da ANP. O movimento acompanha a pressão do petróleo no mercado internacional e ocorre em um período de maior demanda por combustível no agronegócio.
Para as usinas, a alta atinge diretamente atividades dependentes do diesel, especialmente colheita, transbordo e transporte da cana, além da movimentação de insumos e produtos. Quanto maior o gasto com máquinas e logística, maior a pressão sobre o custo industrial e agrícola da produção de açúcar e etanol.
O impacto poderia ser ainda maior sem as medidas adotadas para amortecer a valorização internacional. O governo federal mantém atualmente uma subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário. Em setembro, a Petrobras também reajustou seu preço em R$ 1 por litro, mas concedeu desconto equivalente vinculado ao programa, neutralizando aquele reajuste específico na venda às distribuidoras.
Da vinhaça ao tanque
Nesse cenário, o biometano surge como alternativa para reduzir parte da dependência do combustível fóssil. Resíduos e subprodutos da produção sucroenergética, como vinhaça e torta de filtro, podem ser utilizados na geração de biogás e, após purificação, dar origem ao biometano, que pode abastecer veículos preparados para o combustível renovável.
A Cocal é um exemplo de aplicação em escala. A companhia anunciou a utilização de 44 caminhões movidos a biometano produzido em suas próprias unidades para o transporte de vinhaça. O contrato prevê evitar o consumo de aproximadamente 19 milhões de litros de diesel ao longo de cinco anos.
A viabilidade econômica, escala, tecnologia e os caminhos para transformar resíduos das usinas em uma nova fonte de receita estarão entre os assuntos do Vision Tech Summit – A Usina do Amanhã, nos dias 7 e 8 de outubro, em Ribeirão Preto (SP). O painel “Biometano: Quando o Resíduo Vira Receita” integra a programação do evento e discutirá justamente os fatores que determinam a implantação desses projetos no setor sucroenergético.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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