Unem projeta etanol de milho em até 45% do etanol nacional em 10 anos
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) projeta que o etanol de milho responda por 40% a 45% de todo o volume fabricado no Brasil dentro de dez anos. O presidente-executivo da entidade, Amauri Pekelman, calcula que a produção atual, perto de 10 bilhões de litros, ganhe mais 10 bilhões de litros na próxima década — o que equivaleria a dobrar o segmento.
Hoje, cerca de 30% do etanol fabricado no país sai do cereal; já os outros 70% vêm sobretudo da cana-de-açúcar. Segundo a Unem, o avanço médio do segmento nos cinco anos mais recentes foi de 37% anuais, e foram necessários nove anos para conquistar essa fatia de mercado.
O custo do milho é o ponto sensível da equação: responde por cerca de 80% das despesas de uma planta que produz etanol a partir do grão, contra aproximadamente 60% no caso da cana. Plantas chamadas flex, que alternam entre os dois insumos conforme o mercado, são apontadas pela entidade como caminho para ganhar eficiência.
Consumo interno redesenha o mercado do cereal
A instalação de biorrefinarias no Centro-Oeste, perto das lavouras, encurtou fretes e criou consumo local para o milho. Segundo a entidade, acordos de fornecimento que chegam a durar de dois a quatro anos dão mais previsibilidade ao agricultor diante do crédito caro, da instabilidade das cotações e de intempéries. A Unem avalia que, em cerca de uma década, a produção de milho pode ultrapassar a de soja no país.
Nas biorrefinarias, o combustível absorve cerca de 70% do volume processado, enquanto 25% a 30% se transformam em DDG, de teor proteico acima do grão in natura e destinado a bovinos, aves e peixes — sobretudo em confinamentos. O óleo de milho completa a lista de coprodutos.
Custos pressionam e mistura pede previsibilidade
A Unem classifica 2026 como um ano difícil, com pressões de adubos e de pessoal sobre as despesas do campo e repasse limitado pelo valor da gasolina no mercado interno. Juros altos, na avaliação da entidade, também travam investimentos.
Sobre a fatia de anidro na gasolina, a legislação autoriza chegar a 35%, desde que haja avaliações técnicas. A entidade defende regras estáveis e segurança jurídica para que o percentual possa voltar aos patamares de 27% ou 25%.
Fonte: Redação – SpaceMoney
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