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Usinas apostam em biometano e captura de carbono para descarbonizar setor

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
28 outubro, 2026
em Biogás e Biometano, Usinas
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Biocombustíveis Biogás e Biometano
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Cocal amplia uso de resíduos da cana para substituir diesel, enquanto a FS desenvolve projeto para armazenar CO2 no subsolo e produzir etanol com balanço negativo de carbono

O setor sucroenergético aposta em novas tecnologias para reduzir emissões, aproveitar resíduos e ampliar as receitas das usinas. Entre as estratégias adotadas se destacam a substituição de combustíveis fósseis por biometano, a produção de biofertilizantes e a captura e o armazenamento de dióxido de carbono (CO2).

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Alguns destes projetos foram apresentados pelas empresas Cocal, do setor sucroenergético, e FS, produtora de etanol de milho, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.

As iniciativas mostram como a descarbonização começa a integrar as estratégias industriais e logísticas do setor. Na Cocal, por exemplo, o foco está no aproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar para produzir biogás e biometano, utilizados nas operações da própria companhia e no transporte de cargas.

Já a FS desenvolve, em Lucas do Rio Verde (MT), um projeto de captura e armazenamento de carbono que poderá reduzir a intensidade de emissões do etanol de milho a níveis negativos.

A Cocal estruturou uma plataforma de economia circular que integra diferentes etapas da produção sucroenergética. “Além de açúcar, etanol e bioeletricidade, aproveitamos subprodutos industriais, como vinhaça e torta de filtro, para produzir biogás e biometano”, diz o diretor-presidente da Cocal, Abel Uchoa.

A estratégia também inclui o recebimento de resíduos orgânicos de outras atividades, como esterco bovino e de aves, para ampliar o abastecimento das plantas de biodigestão e permitir a operação ao longo do ano.

O processo gera novas oportunidades de aproveitamento dos materiais, incluindo a produção de biofertilizantes. Com isso, a empresa busca reduzir o desperdício, diversificar as fontes de receita e diminuir a dependência de combustíveis fósseis nas operações agrícolas e industriais.

A utilização do biometano, inclusive, vem avançando na logística do setor. Na operação BioRota, desenvolvida pela Copersucar com transportadoras parceiras, caminhões abastecidos com o combustível renovável transportam açúcar de usinas do interior paulista até o Porto de Santos.

Entre abril de 2024 e março de 2026, a iniciativa realizou mais de 13 mil viagens, percorreu cerca de 11 milhões de quilômetros e transportou aproximadamente 600 mil toneladas de açúcar. Segundo a Copersucar, a substituição do diesel por biometano evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO2 no período.

A Cocal também está substituindo o diesel utilizado no transporte de vinhaça por biometano. Uma parceria prevê a operação de 44 caminhões movidos ao combustível renovável nas unidades de Narandiba e Paraguaçu Paulista, no oeste paulista.

A experiência da companhia indica que o biometano pode deixar de ser apenas uma alternativa experimental e assumir um papel crescente na logística do agronegócio.

Armazenamento geológico de carbono

Na produção de etanol de milho, a FS aposta em outra tecnologia para reduzir as emissões: a captura e o armazenamento de carbono, conhecidos pela sigla CCS (sigla em inglês para carbon capture and storage)

O projeto desenvolvido na unidade de Lucas do Rio Verde prevê capturar o CO2 gerado durante a fermentação do etanol, comprimir o gás e injetá-lo em uma formação geológica subterrânea adequada para armazenamento permanente.

A empresa identificou um reservatório com características consideradas apropriadas para receber o carbono, incluindo porosidade, permeabilidade e camadas de rocha capazes de impedir o retorno do gás à atmosfera.

Segundo o vice-presidente executivo de sustentabilidade da FS, Daniel Lopes, a estrutura geológica tem capacidade estimada para armazenar 12 milhões de toneladas de CO2 ao longo de 30 anos. A unidade industrial emite aproximadamente 423 mil toneladas de carbono por ano, de acordo com os dados apresentados.

A FS estima que o projeto possa viabilizar a produção de cerca de 650 milhões de litros anuais de etanol com intensidade de carbono negativa, dependendo da metodologia de contabilização utilizada.

O empreendimento recebeu classificação de projeto-piloto da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no contexto do desenvolvimento das regras brasileiras para captura e armazenamento geológico de carbono.

A iniciativa também envolve estudos geológicos, licenciamento ambiental e certificação para a geração de créditos no mercado voluntário de carbono.

A empresa informou que o investimento total no projeto chegou a US$ 90 milhões. O avanço da iniciativa depende da consolidação das condições regulatórias e operacionais necessárias à injeção do CO2.

Etanol de baixo carbono se destaca

Além da redução das emissões, a captura de carbono pode abrir acesso a mercados que valorizam combustíveis com menor intensidade de carbono. Entre as possibilidades estão programas de descarbonização de combustíveis, mercados regulados e voluntários de carbono e aplicações ligadas à aviação e ao transporte marítimo.

A remuneração adicional, entretanto, depende das regras de cada mercado, da certificação do produto e da metodologia utilizada para calcular as emissões evitadas ou removidas. No caso do etanol, a captura de CO2 pode complementar uma vantagem já associada à origem renovável do combustível.

A fermentação produz dióxido de carbono de origem biogênica, que pode ser capturado antes de ser liberado na atmosfera. A viabilidade da operação depende dos custos de captura, compressão, injeção e monitoramento, além da capacidade de armazenamento e do valor atribuído ao carbono removido. Para a indústria, o desafio é transformar o benefício ambiental em retorno financeiro.

As duas estratégias refletem uma mudança na forma de avaliar a sustentabilidade das usinas. A redução de emissões passa a ser associada à eficiência operacional, à diversificação de receitas e à criação de novos produtos e serviços.

A expansão dessas soluções dependerá da evolução tecnológica, da infraestrutura, da regulamentação e dos incentivos econômicos. No caso do biometano, será necessário ampliar a oferta e consolidar o uso em frotas e operações industriais.

Para a captura e o armazenamento de carbono, a prioridade é demonstrar segurança operacional, estabelecer regras claras e comprovar a viabilidade financeira em escala comercial.

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil

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