Dados apresentados pela Abisolo mostram avanço da categoria em ano de queda geral do setor e indicam maior espaço para tecnologias de nutrição nas culturas de bioenergia

Durante coletiva de imprensa, o diretor de Operações da Abisolo, Alexandre D’Angelo, apresentou os números do mercado brasileiro de biofertilizantes, fertilizantes especiais, condicionadores de solo e substratos para plantas. Segundo o material, as vendas de biofertilizantes passaram de R$ 499 milhões em 2024 para R$ 883 milhões em 2025.
O desempenho chama atenção porque ocorreu em um cenário de retração no mercado total de biofertilizantes e fertilizantes especiais. O faturamento geral caiu 5,5%, saindo de R$ 26,916 bilhões em 2024 para R$ 25,446 bilhões em 2025, pressionado por margens apertadas, custos elevados, juros altos, inadimplência e maior cautela na concessão de crédito.
Mesmo com a conjuntura mais difícil, a Abisolo apontou aumento da adoção de biofertilizantes, maior número de registros de produtos no Ministério da Agricultura e Pecuária, o MAPA, e expansão de empresas produtoras de extratos de algas, principalmente vermelhas. A entidade avalia que esses fatores ajudam a consolidar os dados do segmento e reforçam o uso da tecnologia como ferramenta de performance produtiva e mitigação de riscos.
Tecnologias ganham peso nas culturas energéticas
Para a cadeia bioenergética, o avanço dos biofertilizantes tem relação direta com a busca por produtividade em cana-de-açúcar e milho. As duas culturas são bases importantes para a produção de etanol no Brasil, e qualquer ganho de eficiência no campo pode influenciar custo agrícola, disponibilidade de matéria-prima e competitividade das usinas.
Na prática, o movimento pode afetar produtores, fornecedores de cana e unidades industriais que dependem de estabilidade produtiva. Em anos de custo elevado, tecnologias que melhoram o aproveitamento de nutrientes e reduzem perdas no manejo tendem a ganhar espaço nas decisões de investimento.
A leitura apresentada pela Abisolo também reforça que o produtor está mais seletivo. Em vez de cortar tecnologia de forma linear, parte do mercado busca soluções capazes de sustentar produtividade, especialmente em culturas nas quais a margem depende de escala, regularidade e eficiência operacional.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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