
A Case IH revelou novas informações sobre o desenvolvimento da sua colhedora de cana movida a etanol, que segue em fase de testes. A inovação representa um passo importante da marca rumo à descarbonização do setor sucroenergético, unindo tecnologia, sustentabilidade e viabilidade operacional. As informações foram compartilhadas durante uma coletiva de imprensa realizada pela marca no dia 14, em Sorocaba (SP), onde foram apresentados os lançamentos para a Agrishow 2025.
O equipamento utilizado é uma Austoft 9000 de duas linhas, adaptada com um motor Cursor 13 Ciclo Otto, desenvolvido pela FPT Industrial. Trata-se da mesma tecnologia base utilizada em motores automotivos a gasolina, agora convertida para operar com etanol. Segundo a montadora, o motor é derivado de uma versão a gás já produzida pela FPT, que fabrica cerca de 70 mil unidades por ano globalmente.
Apresentado como protótipo durante a Agrishow 2024, o motor passou por uma bateria de testes de bancada antes de ser instalado na colhedora para testes reais em campo. A primeira operação foi realizada na Unidade São Martinho, em Pradópolis (SP), no final da safra 2024, onde foram colhidas mais de 5 mil toneladas de cana com resultados técnicos considerados promissores. “A máquina já trabalhou com a performance que precisa. Conseguimos atingir 400 kW de potência nos primeiros testes, praticamente o mesmo nível dos 420 kW do motor diesel original, e isso sem otimizar curva de motor ainda”, destacou Christian Gonzalez, vice-presidente da Case IH.
Apesar do bom desempenho, Gonzalez deixou claro que a colhedora movida a etanol não será lançada em 2025, pois ainda é necessário avançar em alguns pontos técnicos, especialmente relacionados à eficiência energética do motor. Um dos desafios está na menor capacidade calorífica do etanol em comparação ao diesel, cerca de 60% inferior, o que exige ajustes para garantir autonomia ideal e viabilidade econômica.
“Já fizemos testes no passado com motores diesel convertidos e misturas com etanol, mas nunca encontramos uma equação que fizesse sentido em performance, custo e sustentabilidade. Agora temos uma base técnica muito mais promissora com esse novo motor Ciclo Otto”, explica Gonzalez.
A proposta da Case IH vai além de um produto isolado: a empresa está desenvolvendo um ecossistema completo baseado em etanol, com potencial aplicação futura em tratores e outros equipamentos agrícolas. O objetivo é oferecer uma solução energética limpa e renovável para toda a cadeia produtiva no campo.

Entre os principais benefícios do uso do etanol estão:
- Redução significativa de emissões.
- Menor pegada de carbono.
- Abastecimento local e logística simplificada, especialmente para usinas que já produzem o combustível.
- Redução de custos operacionais em regiões com frete elevado.
“É um desenvolvimento feito no Brasil, puxado pelo Brasil, e que vai ganhar o mundo. Os Estados Unidos e outros mercados já demonstram interesse. Mas antes, precisamos validar todos os parâmetros de eficiência e sustentabilidade aqui”, conclui Gonzalez. A colhedora de cana movida a etanol passará por novos ciclos de testes ao longo de 2025 e ainda não possui data oficial de lançamento.
Por: Fábio Palaveri – Visão Agro
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