Estado com refinaria privatizada vê gasolina aumentar quatro vezes média nacional e reajuste do diesel é o dobro do restante do Brasil
O motorista baiano é que sofre primeiro e mais sente os efeitos da guerra no Brasil. Os dados da inflação em março revelam que a capital baiana foi a cidade em que os três principais combustíveis mais subiram no primeiro mês da guerra: diesel, gasolina e etanol. A Bahia tem uma das duas refinarias privadas e os números devem reforçar o discurso em Brasília pela reestatização.
Enquanto a média nacional da gasolina subiu 4,59% em março, Salvador viu o preço nas bombas saltar 17,37%. O fenômeno não é isolado: o óleo diesel disparou 23,83% na capital baiana, quase dez pontos percentuais acima da média brasileira, de 13,9%.
O mesmo fenômeno aconteceu no etanol, que não depende de importações. No mês, o combustível que vem da cana-de-açúcar e do milho subiu 0,93% na média nacional, enquanto em Salvador o aumento foi de 10,14%.
Para entender por que a Bahia “queimou a largada” nesta inflação, é preciso olhar para além dos postos e focar na Refinaria de Mataripe. Privatizada no governo passado e gerida pela Acelen, a planta possui uma política de preços independente da Petrobras.
Diferente da estatal, que muitas vezes amortece a volatilidade internacional por decisões estratégicas (ou políticas), a refinaria privada tende a repassar as variações do mercado global com maior agilidade e rigor técnico.
O resultado é um mercado regional mais exposto ao sabor das cotações do petróleo e do câmbio, criando um “microclima” econômico onde os preços sobem mais rápido e, em teoria, também deveriam cair com maior celeridade – embora o consumidor raramente sinta o segundo movimento com a mesma intensidade.
Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defenderam a possibilidade de reestatização da refinaria. Segundo Silveira, a Petrobras e o fundo árabe Mubadala, dono da refinaria, conversam “há anos” sobre a possível recompra.
Agora, com os números em mãos, o tom pela recompra deve ser reforçado em Brasília.
Outras cidades
O impacto em Salvador também parece puxar outras capitais do Nordeste. São Luís e Recife registraram altas expressivas na gasolina (11,24% e 7,97%, respectivamente), mas ainda distantes do patamar baiano.
Ainda na gasolina, no Sul e Sudeste, capitais como São Paulo (4,40%), Rio de Janeiro (4,2%) e Curitiba (2,9%) se mantiveram mais próximas ou abaixo da média nacional, de 4,59%.
No diesel, ocorre o mesmo fenômeno de aumentos maiores no Nordeste. São Luís registrou um salto de 19,32%, figurando como o segundo maior reajuste da lista, seguido por Recife, onde o combustível subiu 15,14%.
Com os aumentos de dois dígitos no diesel no Nordeste, o custo logístico da região sofre um choque imediato. Como o Brasil é um país que se move sobre rodas, o preço que sobe nas refinarias é o mesmo que encarece o hortifruti na feira de amanhã.
O combustível, nesse cenário, deixa de ser apenas um insumo e passa a ser, potencialmente, um grande vetor de propagação da inflação de serviços e alimentos.
Por: Fernando Nakagawa | Fonte: CNN Brasil
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