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Crise no preço da cana pode levar produtores de PE a suspender fornecimento às usinas

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
4 setembro, 2026
em Mercado
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado
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Canavieiros alegam prejuízo de R$ 75,73 por tonelada e planejam suspensão de fornecimento a partir de 14 de setembro, caso não cheguem a acordo com representantes das sucroenergéticas.

Os produtores de cana-de-açúcar de Pernambuco ameaçam suspender o fornecimento às usinas a partir do próximo dia 14 de setembro, caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas nas negociações do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool de Pernambuco (Consecana/PE).

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A decisão foi discutida nesta terça-feira, 1º, durante reunião na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), diante da diferença entre o custo de produção e o valor recebido pela tonelada da matéria-prima.

Segundo dados apresentados pelo setor, a tonelada da cana está sendo comercializada nesta semana por R$ 139,27, enquanto o custo de produção estimado para a safra 2025/26 é de R$ 215/t. Com isso, os produtores calculam um prejuízo de R$ 75,73/t.

O levantamento sobre os custos foi realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

Para o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, a situação enfrentada pelos produtores pode comprometer a continuidade da atividade no estado. “A situação é bem grave. Ultimamente, está sendo melhor parar do que continuar do jeito que está. Está sendo mais benéfico ficar com as usinas fechadas e sem produzir”, lamenta.

Ainda segundo Lima, outros estados também enfrentam dificuldades, mas apresentam valores diferentes na comercialização da cana. Ele cita Alagoas como exemplo e afirma que o preço da tonelada no estado está cerca de R$ 16/t acima do praticado em Pernambuco. “Alagoas foi um dos lugares que também se afetaram bastante”, diz.

Antes da data prevista para a suspensão do fornecimento, produtores e representantes das usinas devem se reunir na próxima quarta, 9, na AFCP, para tentar chegar a uma solução negociada para a crise.

O encontro ocorrerá cinco dias antes da reunião do Consecana/PE, marcada para 14 de setembro, quando produtores e representantes das indústrias sucroenergéticas devem discutir os valores de referência para a cana-de-açúcar.

O Consecana é o fórum que reúne representantes dos produtores rurais e das usinas para calcular e definir os valores de referência utilizados na comercialização da cana.

A categoria defende que os preços pagos pelas usinas sejam ajustados diante dos custos atuais de produção. Segundo os produtores, o cenário tem sido agravado pela alta dos insumos utilizados no campo.

Apesar da situação, o setor também conta com medidas emergenciais dos governos estadual e federal, como a distribuição de fertilizantes e a subvenção destinada aos produtores. Segundo a AFCP, as ações têm ajudado a evitar um agravamento ainda maior da crise, mas não resolveram a diferença entre o custo de produção e o valor recebido pela cana.

Posição das usinas

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Augusto Pontes Cunha, contestou alguns pontos apresentados pelos produtores. “Não existe reunião marcada para dia 9 e as usinas de Pernambuco sempre apresentam preços maiores do que Alagoas”, afirmou Cunha.

O dirigente também explicou que, segundo a entidade, a definição dos preços da cana é feita conjuntamente pelas duas categorias que integram o Consecana/PE, com base em cálculos elaborados pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

“O entendimento é rotina no Consecana de Pernambuco e até outros estados usam as normas do Consecana de Pernambuco”, disse.

Renato ainda destacou que eventuais convergências entre produtores e indústria podem contribuir para a atividade econômica do setor. “As convergências sempre favorecem a geração de renda e manutenção de empregos”, afirmou.

Por: João Tavares | Fonte: Diário de Pernambuco

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