Luciano Rodrigues apontou consolidação do mercado de etanol, avanço do biometano, SAF e combustível marítimo como frentes estratégicas para o próximo ciclo da bioenergia

A descarbonização da aviação pode demandar cerca de 450 bilhões de litros de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), abrindo uma nova frente de oportunidades para o etanol e para a bioenergia brasileira. O potencial foi destacado por Luciano Rodrigues, Diretor de Economia e Inteligência Setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), durante palestra no Vision Tech Summit 2026, em uma análise sobre os mercados que podem sustentar o crescimento do setor nos próximos anos.
Rodrigues organizou a estratégia em três grandes frentes: consolidar os mercados já existentes, desenvolver novas demandas e tornar a produção cada vez mais eficiente. No curto prazo, segundo ele, o mercado doméstico de combustíveis continuará sendo fundamental para absorver a produção de etanol, exigindo atenção à competitividade diante dos combustíveis fósseis e ao comportamento do consumidor.
Um dos dados apresentados mostra o espaço ainda existente dentro da própria frota brasileira. No último ano analisado, o etanol hidratado respondeu por 28,8% do consumo da frota flex. Mesmo nos municípios onde o biocombustível apresentava vantagem econômica, menos da metade dos veículos flex utilizava etanol, indicando que preço, sozinho, não determina a escolha do consumidor.
Além da demanda atual, Luciano apontou o biometano como um dos mercados em desenvolvimento. O avanço do Programa Nacional do Biometano e a criação do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB) foram citados como mecanismos capazes de facilitar a comercialização do atributo ambiental do combustível mesmo diante das limitações de infraestrutura para transporte por gasodutos.
Novas rotas
No mercado de aviação, a dimensão da oportunidade chama atenção. De acordo com os dados apresentados, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estima que 65% da descarbonização do setor deverá vir dos combustíveis sustentáveis. Considerando aproximadamente dois litros de etanol para produzir um litro de SAF, qualquer participação conquistada pelo etanol brasileiro nesse mercado representaria um volume relevante de nova demanda.
O transporte marítimo também foi apontado como uma alternativa com potencial de desenvolvimento mais rápido. Segundo Rodrigues, embarcações preparadas para operar com metanol podem utilizar combustíveis renováveis de maneira mais direta, enquanto a regulamentação internacional em discussão tende a tornar as emissões de carbono progressivamente mais caras para os operadores marítimos.
Para o representante da UNICA, essas oportunidades precisam caminhar junto com ganhos dentro das próprias unidades produtoras. A diversificação entre cana e milho, a produção de açúcar, etanol, eletricidade, biogás, biometano e biofertilizantes e o avanço da economia circular estão tornando a indústria mais resiliente. Nesse cenário, eficiência deixa de significar apenas redução de custos e passa a envolver estabilidade da oferta, baixa intensidade de carbono e capacidade de integrar diferentes produtos e mercados.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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