Executivos da São Martinho, CerradinhoBio, Viralcool e UDOP discutiram margens, etanol de milho, produtividade, novos investimentos e os caminhos para manter a competitividade das usinas

A necessidade de combinar eficiência operacional, diversificação de receitas e disciplina na alocação de capital marcou o painel “Líderes da Bioenergia: Margens, Investimentos e Próximas Decisões”, realizado durante o Vision Tech Summit 2026. Mediado pelo CEO do Grupo Visão Agro, Alexandre Ramos, o debate reuniu o CFO do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato; o CEO da CerradinhoBio, Renato Pretti; o diretor Administrativo Financeiro da Viralcool, Ricardo Toniello; e o presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Hugo Cagno.
Felipe Vicchiato destacou o avanço do etanol de milho como uma mudança estrutural para o setor. Segundo o executivo, o combustível produzido a partir do grão apresenta hoje uma estrutura de custos competitiva e vem atraindo novos projetos. Na São Martinho, os investimentos realizados nas duas plantas de etanol de milho somam aproximadamente R$ 2,5 bilhões, enquanto a companhia direciona esforços para capturar sinergias, elevar produtividade e reduzir custos na operação de cana. líderes da bioenergia líderes da bioenergia
Para o CEO da CerradinhoBio, Renato Pretti, a diversificação deixou de ser apenas oportunidade e passou a fazer parte da estratégia de competitividade. Há cinco anos, aproximadamente 80% das receitas da companhia vinham do etanol; atualmente, essa participação está em torno de 50%. O executivo também explicou que 70% da receita líquida atual do grupo está ligada ao negócio de milho e 30% à unidade de cana. Nos projetos de etanol de milho, os coprodutos representam cerca de 20% da receita líquida, ampliando as possibilidades de geração de valor além do combustível. líderes da bioenergia
Ricardo Toniello ponderou que a discussão não deve ser reduzida a uma disputa entre cana e milho. Para o diretor da Viralcool, o ponto de partida precisa ser a eficiência de cada operação e a capacidade de incorporar flexibilidade às plantas. “Nós temos que ser eficientes. Essa é a primeira parte”, afirmou. Ele também chamou atenção para custos de biomassa, logística e disponibilidade de matéria-prima, fatores que podem alterar significativamente a viabilidade de um projeto dependendo da região em que ele está instalado. líderes da bioenergia
Eficiência e demanda
O presidente da UDOP, Hugo Cagno, acrescentou ao debate o potencial ainda existente para expansão do próprio mercado brasileiro de etanol. Segundo os números apresentados no painel, cerca de 80% da frota brasileira é flex, mas aproximadamente 32% utiliza etanol, o que evidencia espaço para avanço do biocombustível dentro de um mercado que já existe. Cagno também destacou a possibilidade de substituir parte do diesel utilizado em máquinas agrícolas por etanol, ampliando a demanda diretamente dentro das operações do setor. líderes da bioenergia
De acordo com o presidente da UDOP, o Brasil ainda importa aproximadamente 30% do diesel consumido, volume citado no painel em cerca de 17 milhões de metros cúbicos. Em um exercício apresentado durante o debate, a conversão desse volume para etanol, considerando referências de consumo de máquinas agrícolas, poderia representar uma demanda próxima de 25 milhões de metros cúbicos de etanol. “Faltaria etanol”, afirmou Cagno ao defender que o crescimento da oferta de cana e milho pode ser complementar diante de novos usos para o biocombustível. líderes da bioenergia
A disponibilidade de área e biomassa também apareceu como elemento determinante nas decisões de investimento. Cagno comparou as produtividades agrícolas e afirmou que seriam necessários aproximadamente 2,3 hectares de milho para produzir quantidade equivalente de etanol gerada por um hectare de cana, considerando os parâmetros apresentados no painel. A avaliação reforçou que o modelo produtivo não deve ser replicado igualmente em todas as regiões e que condições locais de matéria-prima, logística, energia e terra precisam entrar na conta. líderes da bioenergia
O debate mostrou que não existe uma única rota para o próximo ciclo da bioenergia brasileira. Cana, milho, açúcar, energia, coprodutos, biogás e outras alternativas passam a compor estratégias cada vez mais integradas. Para as lideranças reunidas no Vision Tech Summit 2026, as próximas decisões de investimento deverão considerar não apenas capacidade produtiva, mas também margens, disponibilidade de biomassa, logística, novos mercados consumidores, produtividade e a capacidade de cada usina de extrair mais valor dos ativos que já possui.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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