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Em alta, cogeração pode quase dobrar com cana e biogás

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
20 julho, 2022
em Biogás, Cana de Açúcar, Energia renovável
Tempo de leitura: 3 minutos
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Home Bioenergia Biogás
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A cogeração de energia alcançou em junho 20 gigawatts (GW) de capacidade instalada no país, puxada fortemente pelo segmento sucroenergético, mas essa marca poderá quase dobrar apenas com investimentos no retrofit de plantas alimentadas com bagaço de cana e com o aproveitamento do biogás que as usinas de açúcar e etanol podem produzir.

Dados da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) indicam que o segmento poderá adicionar até 15 GW em cogeração em até quatro anos. Trata-se de uma potência 1 GW maior que a da hidrelétrica binacional de Itaipu.

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Isso porque cerca de 150 térmicas que utilizam bagaço de cana não exportam energia excedente ao sistema elétrico porque são antigas e precisam de novos investimentos, que adicionariam 11 GW de capacidade instalada. Além disso, outros 4 GW podem ser gerados por meio do biogás, combustível renovável em alta no momento, e que pode ser obtido por meio da vinhaça e da torta, dois subprodutos da cana.

Cogeração é a produção simultânea de duas ou mais formas de energia – eletricidade e energia térmica, por exemplo – a partir de um só combustível. Da capacidade total instalada no país, 60% (12,1 GW) são oriundos da biomassa do bagaço, com 383 usinas em operação – a maioria delas gera e exporta para o sistema elétrico. A expectativa é que 2,6 GW da fonte entrem em operação no país até 2025, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas o número poderia quintuplicar se houvesse estímulos para a fonte.

Leonardo Caio Filho, diretor de Tecnologia e Regulação da Cogen, diz que a adição da capacidade instalada de usinas que utilizam bagaço tem se desacelerado. A média nos últimos 15 anos foi de 750 megawatts (MW) novos no sistema, mas, nos últimos cinco, a média foi de 350 MW.

Entre 2022 e 2025, a média deve melhorar, para 620 MW, número ainda aquém do potencial. Para Caio Filho, um dos motivos é a sinalização que o governo dáno Plano Decenal de Expansão da Energia (PDE 2031).

Ele cita que o plano de longo prazo do Ministério de Minas e Energia (MME), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica a adição de apenas 80 MW ao ano de 2026 a 2030. “Está fora de sintonia”, disse. Para essa expansão se concretizar, diz, é preciso trocar equipamentos essenciais para a operação dessas usinas, como caldeiras e turbinas.

Caio Filho salientou que a Cogen trabalhou em conjunto com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás) para pedir ao MME a inclusão de usinas a biomassa em leilões de reserva de capacidade. A modalidade prioriza a contratação da potência das usinas ante a garantia física, que é a quantidade de energia que efetivamente pode ser negociada.

A inclusão seria importante para criar condições para que essas usinas possam realizar o retrofit. No caso do biogás, o diretor vê espaço para acelerar a inclusão. Cogen, Unica e Abiogás também apoiaram o “PL do Biogás”, que estabelece medidas de estímulo para a fonte, que hoje tem 400 MW de capacidade instalada.

Com os 20 GW, a cogeração tem participação de 10,9% na matriz elétrica, fatia ainda inferior à média mundial, de 16%. Licor negro (3,4 GW) e gás natural (3,1 GW) ocupam, respectivamente, o segundo e terceiro lugares na lista de fontes para cogeração.

Fonte: Valor Econômico

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