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Embrapa estuda como aproveitar agave para produzir etanol

Maria Reis por Maria Reis
6 agosto, 2025
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Biocombustíveis
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Planta é usada para fabricação de tequila e sisal, e só 4% da biomassa é aproveitada atualmente nas regiões produtoras do semiárido baiano

Tarcísio Gondim, da Embrapa Algodão: desenvolver cadeia do agave pode combater desigualdades regionais — Foto: Alexandre Oliveira/Embrapa

Há um esforço em curso para viabilizar o uso do agave, planta da qual se produz tequila e fibra de sisal e que é cultivado no semiárido baiano, como matéria-prima para a produção de etanol.

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Em 2024, o governo da Bahia e a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) começaram a capacitar agricultores do estado para cultivar agave. Agora, a Embrapa vai entrar com pesquisas, junto a uma empresa local, para estudar como tirar o melhor proveito da planta na produção do biocombustível.

A Embrapa vai utilizar diversas variedades de agave em seu banco de germoplasma, como a Agave sisalana, propícia para a extração das fibras de sisal, e a Agave tequilana, mais utilizada na produção da bebida. A ideia, segundo a empresa de pesquisa, é desenvolver sistemas de cultivo para as variedades que garantam um rendimento maior. A pesquisa está sendo conduzida pela unidade Embrapa Algodão.

A Santa Anna Bioenergia, criada em 2022 para realizar pesquisas voltadas à agricultura, vai atuar em parceria com a Embrapa e já trouxe 500 mudas de agave azul do México, onde é plantada para a produção de tequila. As mudas já passaram por quarentena.

Pesquisa em curso

Uma equipe de pesquisadores está começando a estudar como a espécie se comporta no solo do município de Jacobina (BA), onde será instalada uma Unidade de Referência Tecnológica (URT). Também serão instaladas outras duas unidades em Alagoinha (PB) e Monteiro (PB). No total, 1,8 mil mudas serão plantadas nesses três municípios, na primeira etapa do projeto.

Diferentemente da cana-de-açúcar, que demanda um volume considerável de água durante seu desenvolvimento, o agave é uma planta xerófila, o que significa que ela é adaptada a ambientes secos e com pouca água, como o semiárido nordestino e áreas desérticas no México.

Por outro lado, para que um pé de agave esteja pronto para ser colhido com rendimento, leva-se cinco anos ou mais, enquanto a colheita da cana-de-açúcar demora entre um ano e um ano e meio, a depender da variedade.

Para garantir que o cultivo de agave faça sentido econômico, será preciso plantar em etapas, explica Tarcísio Gondim, pesquisador da Embrapa Algodão. “O escalonamento das áreas de plantio ao longo do período permitirá a estabilização da produção de biomassa para fins energéticos, garantindo competitividade na exploração comercial no Semiárido”, afirma

Ele complementa: “Para que isso se concretize, é necessário investir em estudos para avançar na padronização de cultivares, no manejo da cultura, nos tratos culturais, na fertilidade do solo, na mecanização do cultivo e no processamento integral da biomassa”.

No México, boa parte do cultivo de agave azul é feito de forma mecanizada, como preparo do solo, adubação, capina, aplicação de inseticidas e herbicidas. Apenas o plantio é feito manualmente. “Nossa visão de futuro é ter grandes áreas cultivadas com agave, e isso não pode ser feito manualmente”, defende o pesquisador Odilon Reny Ribeiro, da Embrapa Algodão, especialista em mecanização agrícola.

Os pesquisadores vão realizar ensaios para fazer recomendação de arranjos de plantio, adubação e tratos culturais. Também vão trabalhar em uma metodologia para medir o carbono e as propriedades químicas dos componentes da biomassa de agave no processo de pós-colheita.

Após ser usado na produção de etanol, os resíduos industriais ainda podem ser usados como ração de ruminantes, o que tem especial função no semiárido, já que durante a seca os animais ficam com pouca opção de forragem.

Importância do agave e fomento

Segundo Gondim, o desenvolvimento da cadeia do agave para a produção de etanol “pode contribuir para mitigar desigualdades regionais e enfrentar a precarização das áreas sisaleiras do Nordeste brasileiro”, ao resultar na produção de biocombustível, na produção de alimentos para ruminantes, e na captura de gás carbônico em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Atualmente, apenas 4% da biomassa do agave sisalano cultivado no semiárido é utilizado pela indústria. O Brasil produziu 95 mil toneladas de fibra em 2023, sendo a Bahia o principal produtor, com 95% do volume, dentro do chamado Território do Sisal, que abrange 20 municípios. Em segundo lugar está a Paraíba. Segundo a Embrapa, o Brasil é o maior produto de sisal do mundo.

Além da pesquisa capitaneada pela Embrapa, o governo da Bahia também vem investindo para estimular a cadeia do agave no estado. Uma parceria do governo com a ABDI selecionou a Associação Comunitária de Produção e Comercialização do Sisal (APAEB), em Serrinha (BA), para capacitar ao menos 400 agricultores. Com o projeto, a ideia é que os produtores passem a utilizar 95% da planta, elevando sua renda.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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