Efeito contábil compensou resultados operacionais mais fracos devido ao adiamento das vendas de etanol
A São Martinho registrou um salto de 168,5% em seu lucro líquido no terceiro trimestre da safra 2025/26, em decorrência de um ganho tributário sem efeito caixa. O reconhecimento de créditos de subvenções foi de R$ 331,1 milhões e contribuiu para o resultado líquido contábil alcançar R$ 424,08 milhões.
Já o lucro caixa, que refletiu o resultado operacional da companhia, ficou praticamente estável na comparação anual, em R$ 187,72 milhões.
A empresa de açúcar e etanol teve um ganho contábil de R$ 331 milhões ao revisar o tratamento de incentivos fiscais de ICMS. Com base em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e leis vigentes, a companhia substituiu créditos de depreciação acelerada por subvenções de investimento de 2020 a 2023.

A estratégia compensou o que seria um trimestre mais fraco de resultados, já que a companhia decidiu postergar boa parte das vendas de seu etanol para o último trimestre da safra. Ainda assim, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do trimestre caiu 25,6%, para R$ 787,07 milhões, enquanto a margem Ebitda ajustado cedeu 8 pontos, para 49,4%.
A decisão também fez com que a receita líquida do trimestre recuasse 13,6%, a R$ 1,59 bilhão. Apenas as vendas de etanol no mercado interno caíram em um terço, para R$ 559,56 milhões.
Por sua vez, a receita com açúcar no trimestre totalizou R$ 784,88 milhões, com alta de 3,3% ante o mesmo período da safra passada. Desse montante, R$ 712,41 milhões vieram de vendas ao exterior, elevação de 3,9%.
Já a venda de energia registrou R$ 68,11 milhões no trimestre, com alta anual 6,2%, enquanto o faturamento com grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) subiu 7,4%, atingindo R$ 40,6 milhões.

Segundo o CEO, Fábio Venturelli, a São Martinho comercializou 20% a menos do biocombustível – convertido em Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) – no terceiro trimestre do que um ano atrás. “Tomamos uma decisão acertada, porque temos agora uma valorização importante do etanol”, disse.
Em outubro, a companhia migrou sua cana-de-açúcar para o máximo de etanol possível, diante da queda dos preços do açúcar e da melhor remuneração do biocombustível. Naquele momento, a empresa já esperava um aperto na oferta de etanol na entressafra, após a quebra na safra de cana do Centro-Sul.
Segundo o diretor financeiro Felipe Vicchiato, a São Martinho deixou para o quarto trimestre de 35% a 40% de todo o seu etanol desta safra. “E não tem problema de retirada. O consumo do ciclo Otto está aumentando, e a participação do etanol [no mercado de combustíveis] também”, disse. De acordo com ele, os benefícios compensaram o custo financeiro para carregar o produto para este período.
Outro fator que está sustentando o volume de vendas de etanol é o combate à adulteração no bojo da Operação Carbono Oculto, que apreendeu navios com o metanol utilizado para “batizar” combustíveis. Para Venturelli, o etanol está agora ocupando o espaço que estava sendo ocupado pelo metanol e também pela água que era misturada nas bombas de etanol hidratado. Ele destacou, ainda, as iniciativas setoriais de marketing para promover o biocombustível.
De acordo com os números divulgados, os negócios da São Martinho com milho geraram uma receita de R$ 164,35 milhões no trimestre, com queda de 17,1% na comparação anual. Ainda assim, a retração do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 9,4%, para R$ 67,15 milhões.

No acumulado dos nove meses da safra, a São Martinho processou 21,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 0,5% inferior ao do ciclo passado. A produtividade agrícola teve uma retração de 3,8% na mesma comparação, atingindo 76 t/ha. Já o processamento de milho subiu 3,2%, para 415,5 mil toneladas.
Com isso, a produção de açúcar avançou 7,1%, totalizando 1,42 milhão de toneladas no acumulado da safra. Neste período, a produção de etanol de cana recuou 9,9%, somando 908,8 milhões de litros, enquanto o biocombustível de milho teve aumento de 4,4%, para 175 milhões de litros.

Considerando apenas a produção a partir da cana-de-açúcar, o direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante foi de 49%, contra os 45% observados um ano antes.
Ainda de acordo com a São Martinho, em 31 de dezembro de 2025, a dívida líquida da companhia cresceu 17,5% ante a posição no começo da safra 2025/26, para R$ 5,79 bilhões. Com isso, a alavancagem teve um crescimento de 27,3%, para 1,82 vez.

Já em relação aos investimentos, o capex acumulado da safra somou R$ 1,83 bilhão, alta de 9,8% ante um ano antes. Dentro desse montante, a maior parte – R$ 1,25 bilhão – foi destinado à manutenção agrícola, aumento anual de 5,3%.
No terceiro trimestre, por sua vez, os investimentos totalizaram R$ 850,01 milhões, elevação anual de 24,9%. O destaque foi a linha de modernização e expansão, que recebeu aportes de R$ 271,86 milhões, alta de 52,7%.

Fonte: Nova cana
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