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Indústria de alimentos vê crescimento no acordo UE Mercosul

Maria Reis por Maria Reis
26 janeiro, 2026
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Tempo de leitura: 4 minutos
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Por: José Luiz Tejon

Pedi ao presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas (ABIA) do Brasil, João Dornellas, o posicionamento desse setor que compra mais de 60% de tudo que a agropecuária brasileira produz, portanto é o cliente número 1 do agricultor brasileiro e que desde 2022 tornou o Brasil o maior exportador de alimentos industrializados do mundo em volume.

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A posição da ABIA é a seguinte: “ABIA avalia o acordo como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas”.

Ou seja, significa exatamente o que vínhamos analisando, que o acordo UE Mercosul é extremamente positivo e tanto os setores agroindustriais do Brasil e Mercosul quanto os da Europa irão criar sinergias positivas para competir no mundo inteiro, além da própria área dos seus mercados com mais de US$ 22 trilhões de PIB, o segundo maior do mundo, e população de 720 milhões de pessoas.

No posicionamento da ABIA há uma colocação muito inteligente afirmando que: “o valor econômico do acordo central reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso a mercado e na mitigação das incertezas regulatórias – decisivos para a atração de investimentos de longo prazo”.

Portanto, o setor agroindustrial visualiza com lucidez estratégica o potencial de parcerias, investimentos e desenvolvimento de tecnologias com atração de capitais financeiros com recursos que reúnam as melhores realidades do Mercosul com as europeias e, sem dúvida, elevando a indústria brasileira para níveis superiores de competitividade e exigências regulatórias e ambientais. Além da maior venda de alimentos industrializados do mundo, precisamos crescer em valor agregado, marcas e “terroir”.

Sobre as expectativas dos impactos nos negócios, a ABIA responde: “o setor de alimentos e bebidas a curto prazo vai crescer de 1% a 2%, e a longo prazo entre 6% a 8% com crescimento nas vendas que deverá atingir R$ 3,5 bilhões anuais, potencial para gerar 30 mil novos empregos”.

Também no posicionamento ABIA há ênfase para “investimentos na bioeconomia de ambos os países, incluindo ingredientes alimentares, alimentos processados de maior valor agregado, com estímulos a inovação industrial”.

Como havíamos tratado consistentemente que esse movimento do acordo UE Mercosul estava além da agricultura clássica de commodities propriamente dita, envolvia total interesse dos sistemas industriais, comerciais e de serviços europeus, com evidência óbvia ao simplesmente analisar o tamanho e o desafio agroindustrial europeu versus sua própria agricultura, da mesma forma no Brasil, ao desenvolvermos a indústria, comércio e serviços do antes e pós-porteira das fazendas estaremos criando condições de maior segurança e de comércio justo para os agricultores, o lado de dentro das porteiras. Afinal a indústria é o cliente número 1 da categoria produtora rural.

O Brasil em 2025 exportou US$ 66,8 bilhões de alimentos industrializados, dos quais US$ 8,7 bilhões para a Europa. O setor significa 10,8% do PIB, reúne diretamente 2,1 milhões de trabalhadores formais, e adquire e processa 62% da produção agropecuária brasileira.

Portanto, acordo UE Mercosul alavancará o setor agroindustrial criando maiores e melhores fregueses aqui e lá, para nossos agricultores. Essa conta contou com um “little help” um empurrão de Trump com suas ogivas tarifárias e insegurança no uso do alimento como meio de subjugar adversários mundiais, isso também ajudou na assinatura do acordo, que agora passará por um forte suadouro nos parlamentos políticos.

Produtores rurais precisarão cada vez mais estabelecer negociações justas com suas cadeias produtivas, pois da mesma forma doravante supermercados, indústria, comércio, serviços precisarão revelar para o consumidor final o quanto cuidam e zelam pela qualidade, bem-estar da dignidade humana, animal e ambiental, dos seus originadores nos campos, águas e mares. Comércio vital começa dentro de cada cadeia produtiva, do A do abacate ao Z do zebu.

Sem dúvida, janeiro de 2026 um marco histórico para sempre na história humana na terra.

*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista da Rádio Eldorado e Estadão On-line, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM). Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.

Fonte: Portal do Agronegócio

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