Especialistas apontam caminhos para incremento de produção e longevidade da matéria-prima, além de redução de custos de produção
A irrigação, apesar de necessitar de investimentos elevados, é considerada cada vez mais necessária para os canaviais. A relevância motivou debates sobre o tema durante o segundo dia da Conferência NovaCana, ocorrido nesta terça-feira, 16.
Segundo o analista de mercado do Pecege Consultoria e Projetos, Raphael Delloiagono, há uma diferença considerável de produtividade entre a cana irrigada e a de sequeiro. Conforme estudo de caso da consultoria, em um primeiro corte, um canavial irrigado chegaria a 134 toneladas por hectare, enquanto o de sequeiro atingiria, no máximo, 100 t/ha.
Além disso, a longevidade também é relevante: a cana irrigada consegue atingir até 12 cortes, enquanto a de sequeiro chega apenas a até seis cortes, necessitando que se inicie um novo ciclo de plantio.
Mas estes incrementos de produtividade possuem um custo. Os gastos agrícolas saem de cerca de R$ 21 mil por hectare para pouco mais de R$ 30 mil por hectare, considerando a adição dos valores investidos em irrigação. Apesar disso, a maior produtividade aumenta a capacidade de diluição dos custos fixos das usinas, também segundo o Pecege.
A irrigação funciona como um seguro para as produtoras, considerando as condições climáticas cada mais extremas e variáveis, conforme Delloiagono. “Em um ano que não choveu nada, o produtor conseguir manter a capacidade produtiva a todo vapor, certamente os investimentos se pagam em menos tempo”, complementa.
O diretor de pesquisa e desenvolvimento do CTC, Suleiman Hassuani, reitera a visão de Delloiagono sobre a correlação direta entre a irrigação da cana e o aumento da produtividade.
Segundo dados do CTC, em 2024, 33% das usinas avaliadas faziam algum tipo de irrigação em suas áreas próprias. Até 2030, mais de 50% das usinas deverão usar algum tipo de irrigação, conforme o diretor de pesquisa e desenvolvimento.
O centro de tecnologia aponta, ainda, que as mudanças no clima já demandam soluções para a restrição hídrica que incluem reservatórios, equipamentos e variedades mais adaptadas.
Outras medidas
Hassuani complementa: “Se quisermos aumentar a produção de volume de etanol, o CTC tem a visão de que precisamos utilizar mais tecnologia”. A fala reitera a necessidade de os produtores de cana olharem para diversas frentes de inovação para incrementarem suas produções e receitas.
A perspectiva do CTC para que o setor consiga dobrar a produtividade dos canaviais em 20 anos está baseado em quatro pilares: maior potencial genético da cana, maior agilidade de plantio, maior proteção biotecnológica – contra pragas e doenças no campo – além de um manejo adequado para o plantio da matéria-prima.
O gerente agrícola da usina São Manoel, Murilo Gasparoto, acrescenta que a produtividade e longevidade são “cruciais para redução dos custos de produção”.
Segundo ele, a São Manoel teve um crescimento de moagem baseado em patamares, Nessa safra, a usina pretende atingir a moagem de 4 milhões de toneladas, volume dentro do esperado pela empresa.
“O impacto da mecanização foi sentido e tivemos que estudar, aprender e inovar. Voltamos ao crescimento de produtividade”, aponta o gerente agrícola.
Gasparoto também destaca a geração de receita por meio da rotação de cultura com a soja, além do plantio da cana na melhor época possível. “Temos que plantar bem para ter TCH e aproveitar muito bem o canavial plantado”, completa e acrescenta: “Além disso, fazemos a colheita em duas linhas de cana e acreditamos que isso reduz muito o pisoteio; todas as linhas são georreferenciadas com maquinário em piloto automático”.
A redução do diesel, uso de biogás, motores a etanol para maquinário agrícola também são fatores que ele considera relevantes para serem implementados pelas usinas para reduzir custos e aumentar a eficiência.
Por: Gabrielle Rumor Koster | Fonte: NovaCana
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