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Os próximos passos da recuperação da Raízen e o que ainda preocupa o mercado

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
12 junho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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A Raízen deu um passo importante em seu processo de recuperação extrajudicial. Na última semana, a companhia obteve a adesão de credores que representam 75,45% dos créditos abrangidos pelo plano, alcançando o quórum necessário para protocolar a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil.

Apesar do avanço, ainda há dúvidas relevantes sobre a estrutura da operação e os rumos da chamada “nova Raízen”.

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Para o sócio do Tax Group, Luís Garcia, o principal mérito da companhia foi construir consenso com a maior parte dos credores e evitar uma recuperação judicial, alternativa que poderia trazer ainda mais desgaste para o negócio.

Segundo ele, porém, alguns pontos centrais da operação ainda carecem de esclarecimentos. Um deles é a metodologia utilizada para definir a conversão de 45% da dívida em ações da companhia.

Na avaliação do especialista, o mercado ainda não recebeu informações suficientes sobre a avaliação econômica da Raízen, o potencial de diluição dos acionistas atuais e os impactos da operação sobre a estrutura de controle da empresa.

Garcia afirma que, em reestruturações dessa magnitude, a transparência sobre os critérios adotados é fundamental para reduzir incertezas e preservar a confiança dos investidores.

Outro ponto de atenção envolve a separação dos negócios sucroenergéticos e de distribuição de combustíveis.

Embora a medida possa ajudar a destravar valor e aumentar a eficiência operacional, ainda existem questionamentos sobre a alocação de ativos e passivos entre as novas estruturas, os impactos tributários da reorganização e a distribuição dos riscos entre as empresas que surgirão após a cisão.

O advogado acrescenta que reestruturações desse porte costumam levar o mercado a buscar maior visibilidade sobre os mecanismos de governança, supervisão e gestão de riscos que serão adotados daqui para frente.

Mais do que a solução financeira imediata, investidores e credores tendem a avaliar quais mudanças institucionais serão implementadas para evitar a repetição dos fatores que contribuíram para a atual deterioração financeira da companhia.

Críticas à transparência do mercado de capitais

Um investidor ouvido pelo Money Times em anonimato afirmou que o plano da Raízen é tecnicamente defensável, mas que o caso expõe fragilidades mais amplas do mercado de capitais brasileiro.

Na avaliação dele, instrumentos como debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) costumam ser vendidos ao mercado com o respaldo de auditorias e classificações de risco.

Entretanto, muitos investidores acabam descobrindo apenas em momentos de crise que estão expostos integralmente ao risco de crédito do emissor, sem mecanismos de proteção semelhantes aos existentes em produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), por exemplo.

Segundo esse investidor, quando uma companhia entra em dificuldades, os credores frequentemente ficam limitados a escolher entre alternativas que envolvem perdas relevantes. Além disso, a ausência de manifestação pode resultar automaticamente na opção de maior deságio, o que, em sua visão, penaliza a inércia do investidor.

Ele também avalia que o episódio da Raízen não é isolado e cita casos recentes envolvendo Banco Master, Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Americanas como exemplos de um padrão recorrente de deterioração financeira que não teria sido antecipado adequadamente por mecanismos de governança, auditoria ou rating.

Para ele, esse cenário corrói a confiança dos investidores e reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre transparência e responsabilização dos diversos participantes da cadeia de financiamento corporativo.

O que foi definido no plano da Raízen

A maior produtora de açúcar e etanol do Brasil protocolou uma proposta para reorganizar aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas. O plano prevê a conversão de parte dos créditos em ações, a emissão de novos instrumentos de dívida, aportes dos acionistas e uma reorganização societária que separará os negócios de energia e combustíveis.

Um dos principais pontos é a conversão de 45% dos créditos sujeitos à recuperação em participação acionária da companhia.

A operação será realizada por meio de units da Raízen, compostas por uma ação ordinária e uma ação preferencial, ao preço de R$ 0,50 por unit. Os 55% restantes serão substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida.

O acordo também prevê uma injeção de capital novo pelos acionistas. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Participações, veículo de investimentos da família de Rubens Ometto, poderá investir outros R$ 500 milhões caso opte por aderir à operação.

A reestruturação ainda contempla a divisão dos negócios da companhia, com conclusão prevista até o fim de 2027. A futura Raízen Energia reunirá as operações de açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.

O que acontece agora

Em 3 de junho de 2026, foram realizadas assembleias de debenturistas e titulares de CRA para deliberar sobre a adesão dos créditos ao plano de recuperação extrajudicial. As aprovações ocorreram sob determinadas condições suspensivas, motivo pelo qual as reuniões foram suspensas e remarcadas para 8 de junho.

Dois dias depois, em 5 de junho, a Raízen protocolou a versão final do plano já acompanhada da adesão de aproximadamente 75% dos créditos sujeitos à recuperação, superando o quórum mínimo exigido pela legislação.

Com isso, as condições suspensivas foram consideradas atendidas e as assembleias puderam ser reabertas para ratificação da adesão dos credores.

Concluída essa etapa, o plano seguirá para homologação judicial. Somente após a homologação começará a fase de implementação da reestruturação, quando os investidores deverão ser chamados a escolher a alternativa de pagamento aplicável aos seus créditos.

Por: Pasquale Augusto | Fonte: Money Times

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