A Petrobras pretende reabrir a usina de biodiesel de Quixadá, no Ceará, em um movimento que recoloca a unidade no radar da companhia após quase uma década de paralisação. A sinalização foi dada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante agenda relacionada à retomada de investimentos da empresa em Minas Gerais. Segundo o relato reproduzido pela XP com base em informações do Valor Econômico, a planta foi inaugurada em 2008 e teve a produção interrompida em 2016.
O anúncio tem peso simbólico e estratégico. Mais do que recuperar um ativo industrial hibernado, a Petrobras volta a associar sua agenda de crescimento à bioenergia, em um momento em que biocombustíveis, segurança energética e diversificação de matriz ganham espaço nas discussões sobre competitividade e transição energética. A própria companhia informou, em 2024, que a PBio seguirá em seu portfólio e que a subsidiária mantém três usinas de biodiesel, sendo duas operacionais, em Candeias (BA) e Montes Claros (MG), e uma hibernada em Quixadá (CE).
A unidade cearense estava parada desde 2016 e, até recentemente, aparecia nos documentos da Petrobras apenas como ativo hibernado. Na carta anual de políticas públicas da companhia, publicada em 2025, a estatal reafirmou que a usina de Quixadá seguia nessa condição, enquanto as demais unidades em operação sustentavam a produção de biodiesel do sistema.
Apesar da declaração de Magda Chambriard sobre a reabertura, a retomada ainda não está fechada em termos operacionais. Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Petrobras afirmou que a unidade passa por reavaliações econômicas motivadas, principalmente, pelo aumento da disponibilidade de matérias-primas na região e que o projeto ainda está em fase preliminar de estudos técnicos. A companhia acrescentou que informações sobre investimentos, empregos e capacidade produtiva serão divulgadas conforme o avanço da maturidade do projeto.
Esse ponto é relevante porque ajuda a separar anúncio político de execução industrial. A reativação da planta depende não apenas de decisão corporativa, mas também de viabilidade econômica, atualização técnica e recomposição de uma cadeia de suprimento capaz de sustentar a operação com competitividade. Ainda assim, o simples fato de Quixadá voltar ao centro da estratégia da Petrobras já altera a leitura sobre o papel dos biocombustíveis dentro da companhia.
No plano setorial, o movimento reforça que o biodiesel continua sendo tratado como ativo relevante dentro da agenda energética nacional. Ao recolocar uma usina hibernada em perspectiva de retomada, a Petrobras sinaliza que vê espaço para ampliar sua presença em combustíveis renováveis sem abandonar sua base de refino tradicional. Para o mercado, isso significa uma estatal buscando combinar escala, segurança de abastecimento e avanço gradual em soluções de menor intensidade de carbono.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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