Escalada do conflito envolvendo EUA e Irã provoca disparada do petróleo e reacende alerta sobre inflação e custos logísticos no país
O mercado global de energia voltou a entrar em alerta após a escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e rotas estratégicas de transporte de petróleo. Nas últimas semanas, o barril do Brent ultrapassou a marca de US$ 100, acumulando uma alta superior a 42% em apenas duas semanas, o que já começa a refletir nos preços dos combustíveis no Brasil.
De acordo com análise divulgada pela VPricing Combustíveis, o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores geopolíticos e logísticos que pressionam a oferta global de petróleo. Um dos principais pontos de tensão envolve a Ilha de Kharg, no Irã, responsável por grande parte das exportações de petróleo do país e alvo recente de ataques militares. A instabilidade na região aumenta o risco de interrupções no abastecimento internacional.
Outro ponto crítico é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Qualquer ameaça de bloqueio ou instabilidade na região gera impacto imediato no mercado global, elevando preços e aumentando a volatilidade do setor energético.
Preços no Brasil
Os reflexos da crise internacional já começam a chegar ao mercado brasileiro. Segundo a análise da VPricing Combustíveis, os preços do diesel e da gasolina registraram aumentos nas primeiras semanas de março.
O diesel S10 apresentou alta média próxima de 9%, com reajustes superiores a 8% nas refinarias, enquanto a gasolina comum registrou aumento médio superior a 2% nas distribuidoras.
Em algumas regiões do país, a pressão foi ainda maior. O Nordeste, por exemplo, registrou alta de até 13,8% no diesel S10, impulsionada principalmente pelos custos logísticos e pela dependência de importações de combustíveis.
Governo tenta conter impacto
Diante da escalada dos preços, o governo federal anunciou um pacote de medidas para tentar reduzir o impacto sobre consumidores e sobre a inflação.
Entre as ações estão a isenção temporária de PIS e Cofins sobre o diesel, além de subsídios e ajustes em impostos relacionados à importação de combustíveis. Mesmo com essas medidas, a análise indica que o impacto residual pode chegar a R$ 0,06 por litro, caso os reajustes sejam repassados integralmente ao consumidor.
Paralelamente, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro nas refinarias, o primeiro aumento significativo em quase um ano, refletindo a pressão do mercado internacional.
Diesel mais caro pressiona logística e inflação
Especialistas alertam que o aumento do diesel tende a gerar efeito cascata em toda a economia brasileira. Como o combustível é responsável por movimentar grande parte do transporte de cargas no país, a elevação dos preços pode impactar diretamente o custo de alimentos, insumos e produtos industriais.
Esse movimento também pode pressionar os índices de inflação, especialmente em setores que dependem fortemente da logística rodoviária, como agronegócio, alimentos e varejo.
Mercado acompanha risco de nova escalada
Além do conflito militar, outros fatores também contribuem para a instabilidade do mercado energético global. Entre eles estão desvios de rotas marítimas no Mar Vermelho, redução temporária de exportações em algumas regiões produtoras e possíveis restrições logísticas.
Ao mesmo tempo, países da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação de até 400 milhões de barris de reservas estratégicas, em tentativa de equilibrar o mercado e conter novas disparadas de preço.
Ainda assim, analistas avaliam que a volatilidade deve continuar elevada nas próximas semanas, especialmente se o conflito no Oriente Médio avançar para novas etapas ou afetar rotas estratégicas de transporte de petróleo.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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