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Produção de sorgo cresce 39% na Bahia e se fortalece como alternativa para o setor de biocombustíveis

Maria Reis por Maria Reis
18 julho, 2025
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Biocombustíveis
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Com expansão da área plantada e chegada da indústria de etanol à região Oeste, cultura ganha destaque e promete mais estabilidade para produtores

Safra 2024/25 de sorgo deve alcançar 728 mil toneladas na Bahia

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A produção de sorgo na Bahia deve registrar um crescimento expressivo de 39,3% na safra 2024/25 em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A colheita prevista é de 728 mil toneladas, impulsionada por um aumento de 5% na área cultivada, que deve alcançar 206 mil hectares.

De cobertura de solo à valorização comercial

Historicamente utilizado para cobertura do solo durante a entressafra da soja, o sorgo passou a desempenhar um papel mais estratégico no agronegócio baiano. Além de contribuir para a manutenção da fertilidade do solo e servir como ração animal, o grão agora desponta como uma importante matéria-prima para a produção de etanol e biodiesel.

Carlos Roberto Oizimas, gerente de uma fazenda em Luís Eduardo Magalhães (BA), conta que a cultura inicialmente tinha função apenas de enriquecer o solo. “Era mais para cobertura de solo, visando aportar matéria orgânica e melhorar a biologia do solo. Com o tempo, vimos o potencial da cultura e passamos a aplicar técnicas da soja também no sorgo. Hoje, ele já ajuda a pagar o custo da soja”, explica.

Instalação da Inpasa traz novas perspectivas

A instalação de uma unidade da biorrefinaria Inpasa em Luís Eduardo Magalhães tem contribuído para a valorização da cultura na região. A expectativa dos produtores é de que a indústria traga maior estabilidade ao mercado, especialmente em relação aos preços.

Para o produtor rural Greico Henrique, o sorgo está deixando de ser apenas uma safrinha. “A expectativa é que o sorgo passe a ter mais valor. Serve para ração, etanol e biodiesel”, destaca.

Pedro Cappelleso, que cultiva em áreas irrigadas e de sequeiro, também aposta no potencial da cultura. “É um produto que vai bem na ração e está recebendo novas tecnologias. No sequeiro, com menos chuva, estimamos 70 sacas por hectare. No pivô, deve chegar a 150 ou 160 sacas”, afirma.

Verticalização impulsiona o cultivo no Oeste baiano

A presença da indústria no Oeste da Bahia é considerada um divisor de águas para o sorgo. Segundo o engenheiro agrônomo Diego Batista Aires, o crescimento do cultivo tem relação direta com a chegada da Inpasa. “Produtores que antes não plantavam sorgo agora veem na cultura uma oportunidade, pela confiança gerada com a possibilidade de negociação antecipada do preço”, afirma.

O gerente de originação de grãos da Inpasa, Irineo Piaia Junior, explica que a unidade será capaz de processar cerca de 1 milhão de toneladas de milho e/ou sorgo, o que resultará na produção de aproximadamente 450 milhões de litros de etanol.

Geração de empregos e impacto regional

Irineo destaca ainda o impacto econômico e social da biorrefinaria na região. “Durante a obra, o número de empregos diretos e indiretos pode chegar a 2.000 ou 2.500 pessoas. Após a inauguração da planta, a previsão é de manter cerca de 450 colaboradores no quadro permanente”, detalha.

Diferenças entre milho e sorgo no processo industrial

Durante entrevista ao repórter Vinicius Ramos, Irineo também explicou as diferenças no processamento de milho e sorgo para a produção de biocombustíveis. “Com o milho, conseguimos produzir etanol, DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) e extrair óleo. Já com o sorgo, o processo é semelhante, mas não há extração de óleo”, finaliza.

Fonte: Portal do Agronegócio

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