
Durante o Cana Summit, realizado pela ORPLANA, o agrônomo e sócio-diretor da Pecege Consultoria, João Rosa (Botão), fez uma análise franca e descontraída sobre as perspectivas para a safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Brasil. Em sua fala, marcada por uma linguagem acessível e cheia de analogias populares, Botão traçou um panorama que mescla otimismo com cautela, especialmente diante dos desafios econômicos e políticos que impactam o setor sucroenergético.
Segundo ele, a safra 2023/2024 foi considerada boa, mas com alerta para a importância de não se deixar enganar por um desempenho positivo pontual. “A safra 24/25 ainda está com dados estimados, porque não foram consolidados. E a nossa expectativa já se volta para a safra 25/26”, afirmou. Para o ciclo 2025/2026, a estimativa de moagem no Centro-Sul gira em torno de 595 milhões de toneladas. No entanto, o especialista demonstra ceticismo quanto a esse número. “Tem gente perguntando de onde a gente vai tirar essa cana toda. Eu acredito que vai ser um pouquinho menor”, disse, indicando que o otimismo exagerado pode levar o setor a uma perigosa falsa sensação de estabilidade.
Outro ponto central da apresentação foi a precificação do açúcar. O especialista apontou que, com o açúcar cotado a 19 centavos de dólar por libra-peso e um câmbio na casa dos R$ 5,96, o valor do saco de açúcar gira em torno de R$ 118. “Você vai pegar esse 118 reais, aplicar o fator 3,5 e trazer ele para baixo”, explicou, demonstrando como o câmbio impacta diretamente na rentabilidade da commodity. Ele também ressaltou os efeitos da geopolítica e da política interna sobre o câmbio.
A composição do mix de produção (a proporção entre etanol e açúcar) também esteve no centro da análise. Com o etanol hidratado sendo vendido a R$ 2,75 e um mix que prioriza o açúcar em 56%, Rosa mostrou como as decisões estratégicas das usinas precisam considerar a relação de preços entre os dois produtos. A lógica é simples: se o açúcar paga mais, ele domina o mix. Mas essa escolha também depende de outros fatores, como a demanda interna e os estoques mundiais.
Olhar além da janela
Em tom bem-humorado, mas incisivo, Botão pediu que os produtores evitem generalizações com base em realidades locais. “Nós só temos que tomar um pouco de cuidado, gente, para não abrir a janela da nossa casa e achar que a realidade que está acontecendo ali naquela região vale para todo o Brasil”, disse, lembrando que o Brasil é diverso em clima, solo e estrutura produtiva. O recado foi claro: previsões agrícolas, especialmente em setores sensíveis como o sucroenergético, devem ser encaradas como cenários de trabalho, e não como certezas absolutas. Para ele, o melhor planejamento é aquele que considera múltiplos caminhos possíveis e prepara o produtor para lidar com variações climáticas, econômicas e políticas.
Rosa afirmou que, embora as novas políticas públicas não devam sofrer mudanças abruptas no curto prazo, é necessário estar atento ao médio prazo, quando alterações mais profundas podem ocorrer.
Fonte: Fábio Palaveri – Visão Agro
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