Financiamento também apoiará tratos culturais das lavouras de cana e a realização de projeto de capacitação em Américo Brasiliense (SP)
A São Martinho anunciou nesta quinta-feira, 23, que realizou a captação de US$ 165 milhões por meio da International Finance Corporation (IFC), membro do grupo Banco Mundial. A linha de crédito, com prazo de dez anos, apoiará a implantação da primeira planta de biometano da companhia, que será instalada na unidade Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), e produzirá gás natural renovável a partir da biodigestão da vinhaça da cana-de-açúcar.
De acordo com a empresa, o valor captado também será utilizado para investimento em renovação de canaviais e para a realização do tratamento das lavouras de cana-de-açúcar da unidade Santa Cruz.
“Além desse financiamento, que contribuirá para o incremento na produção de energia limpa e renovável no país, a IFC apoiará dois projetos da São Martinho focados no desenvolvimento sustentável: o São Martinho Inova (produção de carbono renovável) e o Formação de Agentes Locais (capacitação para a comunidade)”, relata a companhia, em nota.
Conforme a sucroenergética, o São Martinho Inova é um programa que norteia a construção de futuro da companhia. Assim, ele é focado no desenvolvimento de novas oportunidades de negócios para garantir a produção contínua de carbono renovável de menor custo, transformando esse carbono em novos produtos de maior valor agregado.
Já o Formação de Agentes Locais é um projeto de transformação social pela educação ligado ao programa Transforma 3000. O programa, por sua vez, é direcionado à promoção da inclusão e da diversidade por meio da educação e qualificação profissional, visando transformar socialmente as comunidades do entorno das unidades do grupo nas regiões de Pradópolis, Iracemápolis, Guariba, Américo Brasiliense, no interior de São Paulo, e Quirinópolis, no interior de Goiás.
Segundo a São Martinho, esse é o terceiro investimento da IFC em projetos da companhia. “Essa nova operação reforça nossa parceria com a IFC e demonstra a confiança da instituição no nosso modelo de negócio sustentável e competitivo, que investe em inovação para produzir energia limpa a partir de carbono renovável, promovendo crescimento econômico, preservando o meio ambiente e contribuindo para o bem-estar social das comunidades onde atuamos”, destaca o CFO da São Martinho, Felipe Vicchiato.
O diretor regional da IFC para a América do Sul, Manuel Reyes-Retana, também comentou o financiamento. “Temos satisfação em fazer essa terceira parceria com a São Martinho, desta vez para apoiar seus esforços de descarbonização e implementação de tecnologias inovadoras que promovem a sustentabilidade no setor agrícola”, afirma.
Reyes-Retana ainda segue: “Este projeto não apenas contribuirá para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também ajudará a estimular o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo do setor agrícola, beneficiando comunidades locais e fortalecendo a resiliência climática do Brasil”.
Carbono renovável de menor custo
A São Martinho anunciou, em outubro de 2023, seu projeto de construção de uma planta de biometano. A unidade processará toda a vinhaça gerada na unidade Santa Cruz e terá capacidade inicial de produzir cerca de 15 milhões de metros cúbicos de biometano por safra. Neste volume, ao substituir o consumo de gás natural fóssil, o uso do biometano da São Martinho tem o potencial de evitar a emissão de até 32 mil toneladas equivalentes de gases de efeito estufa, calcula a empresa.
Segundo a sucroenergética, a previsão é que as operações comecem no segundo semestre de 2025. O projeto faz parte de um plano diretor desenhado pela companhia com o objetivo de explorar a totalidade de seu potencial de geração de biometano a partir da vinhaça – o primeiro passo, na unidade Santa Cruz, deve operacionalizar 20% desta ambição.
Ainda de acordo com a empresa, os 80% restantes serão avaliados conforme as vantagens competitivas e particularidades de três demais unidades, Boa Vista, São Martinho e Iracema.
“A captação deste empréstimo junto à IFC suportará a implantação da fábrica de biometano da Santa Cruz, que marca a entrada da São Martinho no mercado de gás natural de origem renovável e reforça o nosso posicionamento em contribuir de forma efetiva para a transição energética rumo a uma economia de baixo carbono”, afirma o CEO da São Martinho, Fabio Venturelli.
Ele acrescenta: “O acesso a esse investimento evidencia o diferencial do projeto da companhia na busca por produzir o carbono renovável de menor custo. Nossa planta estará conectada ao sistema de distribuição via gasoduto e será capaz de oferecer uma alternativa renovável a uma região com alto consumo de combustível fóssil”.
Conforme o executivo, isso possibilitará atendimento a clientes por meio da venda de biometano pressurizado ou injetado a partir de rede de distribuição de gás na região de Araraquara, no nordeste do estado de São Paulo. Venturelli ainda destaca que a vinhaça biodigerida permanecerá sendo utilizada como adubo orgânico nos canaviais da unidade, como era feito antes com a vinhaça in natura, reforçando o processo de economia circular da São Martinho.
Ele ainda destaca o modelo de negócio adotado pela São Martinho ao entrar no mercado de biometano. Diferentemente de outros projetos, a companhia será proprietária de toda a geração de biometano, com autonomia de produção e comercialização.
De acordo com a companhia, isso deve proporcionar independência para utilizar a molécula da melhor forma possível, como dar continuidade ao desenvolvimento de testes e pesquisas na direção de substituir a utilização do diesel em sua frota própria, principalmente em caminhões que requerem alta potência e torque quando submetidos às condições de uso da operação canavieira. Esses testes estão em andamento desde 2016 na São Martinho.
A sucroenergética ainda informa que, para obter o novo financiamento junto à IFC, foi necessário apresentar um plano de ação que evidencia algumas das práticas desenvolvidas no âmbito de avaliação e gestão de riscos e impactos ambientais e sociais; condições de trabalho e emprego; eficiência de recursos e prevenção da poluição; saúde, segurança e proteção da comunidade; e conservação da biodiversidade e gestão sustentável dos recursos naturais vivos.
A São Martinho ainda acrescenta que o financiamento de US$ 165 milhões por meio da IFC se soma a outros já anunciados, captados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – no âmbito do programa BNDES Fundo Clima e do subprograma Energias Renováveis – e à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
Fonte: São Martinho
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