A Syngenta, juntamente com pesquisadores renomados e em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), está em busca de alternativas para mitigar os impactos ocasionados pela chamada Síndrome da Murcha da Cana, doença que tem se tornado uma preocupação crescente entre os canavicultores.
De acordo com estudos recentes citados pela empresa, a doença impacta diretamente a produtividade dos canaviais, medida em toneladas de cana por hectare, podendo ultrapassar a margem de 25% de redução de produção. A doença afeta ainda a qualidade da matéria-prima, pois diminui o teor de açúcar total recuperável (ATR) e altera, de forma negativa, o índice de Brix, que mede a pureza do caldo da cana e o teor de sacarose.
Na safra 2023/24, ainda segundo a Syngenta, diversos estados produtores relataram perdas de produtividade nas lavouras, destacando a gravidade do problema. Apesar de já ter sido identificada na década de 1960 em diversas regiões, a preocupação dos profissionais do setor tem se intensificado, pois a doença tem avançado, com registros significativos nos estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Mato Grosso e Tocantins.
Os sintomas característicos incluem colmos murchos ou secos, coloração avermelhada ou marrom glacê nos internos e, em casos de alta incidência, a presença de estruturas fúngicas visíveis na superfície dos tecidos afetados. O problema, até o momento, parece generalizado em diferentes cultivares de cana.
De acordo com o gerente de marketing de produtos fungicidas da Syngenta, Thales Barreto, a magnitude potencial do problema, combinada com a complexidade de diagnóstico e a falta de variedades resistentes, exige uma resposta rápida e coordenada de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva.
“Isso significa que precisamos unir pesquisa e estratégias de manejo eficazes, como corte antecipado, controle químico e o desenvolvimento de variedades mais resistentes, a fim de mitigar os impactos da síndrome e assegurar a sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar no país”, esclarece.
Desde 2021, grupos de consultores técnicos e pesquisadores têm monitorado áreas afetadas para desvendar as causas e desenvolver estratégias de manejo para a síndrome. Os levantamentos iniciais apontam fatores bióticos como os principais causadores, com associação de fungos patogênicos, como Pleocyta sacchari (sinônimo Phaeocytostroma sacchari), Fusarium spp. e Colletotrichum falcatum.
Os prejuízos impactaram consideravelmente nos resultados da última safra, que gerou perdas de produtividade de até 45% em algumas regiões, segundo a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
A Síndrome da Murcha da Cana afeta diretamente a produção de açúcar e etanol, reduzindo os níveis de sacarose e comprometendo o desenvolvimento das plantas. Estima-se que 30% da área de cana do Brasil, cerca de 3 milhões de hectares, já estejam afetados. Eventos climáticos extremos e a instabilidade da temperatura têm sido apontados como um dos principais fatores para a evolução da doença.
A Syngenta coletou amostras de plantas sintomáticas nas safras de 2023 e 2024 em diferentes regiões. Essas amostras foram analisadas no laboratório de pesquisa e desenvolvimento da companhia em Holambra (SP), a fim de identificar os patógenos predominantes por meio do isolamento e identificação molecular, com o objetivo termos o correto diagnóstico do que realmente vem causando essa síndrome. Os resultados das análises realizadas já apontam a predominância dos fungos Pleocyta sacchari, Colletotrichum falcatum e Fusarium spp.
Além disso, diversos ingredientes ativos foram testados nos isolados, obtidos das amostras de plantas com sintomas da síndrome da murcha, por meio do teste de crescimento micelial. Em laboratório e no campo, o solatenol foi o ingrediente ativo que apresentou maior atividade intrínseca de controle para esses patógenos.
Fonte: Syngenta
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