Em entrevista ao programa Jovem Pan News, no dia 21 de julho, o professor e especialista em agronegócio Marcos Fava Neves alertou para os graves impactos da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto. Para ele, a medida pode provocar uma “tragédia” em setores cruciais da economia brasileira, especialmente no agronegócio.
O professor destacou que produtos perecíveis como frutas, mamão, manga e tilápia, cujos principais mercados estão nos Estados Unidos, correm risco iminente de perdas totais. “Esses não têm como esperar, não dá para estocar fruta ou peixe fresco. Para muitas dessas empresas, o impacto será devastador”, afirmou.
Ele também relembrou que a estratégia brasileira sempre foi “voar abaixo do radar” no comércio global, mantendo discrição e ganhando espaço sem chamar atenção. “De repente, metemos a cabeça pra cima. Fomos falar de BRICS, de moeda alternativa ao dólar… Misturamos política com economia, e agora estamos pagando a conta.”
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A verdade é que o momento exige uma postura cautelosa e estratégica do Brasil. “Somos um chihuahua lutando contra um pitbull. Não é hora de latir. É hora de ficar quietinho, pedir prazo e tentar contornar”, disse Fava Neves, ao defender que o país evite qualquer reação agressiva que possa intensificar as tensões com os EUA.
Apoio americano
Como alternativa, Fava propôs que o Brasil busque o apoio de empresas americanas que compram produtos brasileiros, como Coca-Cola, Pepsi, Starbucks e redes de supermercados. “Elas serão diretamente afetadas. Se mostrarem ao presidente americano que isso trará inflação e perdas internas, talvez ele reconsidere. Trump é um homem de negócios”, disse.
Apesar da gravidade, o especialista apontou que nem todos os setores serão afetados da mesma forma. Produtos como carne bovina e café têm maior flexibilidade de estoque ou redirecionamento. Já no caso do suco de laranja, a situação é delicada: “O Brasil domina 80% do mercado global. Eles não têm outro fornecedor. Vai faltar suco, e o preço vai disparar nos EUA”, completou.
O professor também criticou a falta de coordenação do governo brasileiro diante da crise. Com declarações desencontradas do presidente Lula, do ministro Rui Costa e do ministro Fernando Haddad, Fava afirmou que falta um comando claro. “Quem está à frente disso? Precisamos de um time unificado, com estratégia definida”.
Ao encerrar, ele reforçou que o objetivo agora deve ser ganhar tempo e evitar o colapso de setores exportadores sensíveis. “A gente vinha muito bem com só 10% de tarifa. Agora, do nada, podemos virar o vilão da história. O momento é de diplomacia, não de confronto”, concluiu.
Assista a entrevista completa no canal oficial do Doutor Agro clicando aqui.
Fonte: Fábio Palaveri – Visão Agro
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