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Usinas do Nordeste podem ser mais afetadas por tarifa americana

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
24 julho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Grupos desta região são os tradicionais fornecedores de açúcar bruto para a cota dos Estados Unidos e devem sentir impactos maiores que as empresas do Centro-Sul

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros adiciona um novo fator de incerteza para o setor sucroenergético.

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Embora o mercado americano represente uma pequena parcela das exportações totais de açúcar do Brasil, especialistas avaliam que a medida pode alterar o fluxo global do produto e pressionar as cotações internacionais no curto prazo.

Com a medida, o Brasil passa a ser a segunda economia mais tarifada pelos Estados Unidos, atrás apenas da China, segundo levantamento da plataforma Global Trade.

A nova sobretaxa se soma a um mercado que já opera sob forte proteção. Os Estados Unidos mantêm um sistema de cotas tarifárias de importação (TRQ), que limita o volume comprado de outros países com tarifa reduzida. Fora dessas cotas, as tarifas podem ultrapassar 100%, tornando praticamente inviável a entrada de grandes volumes no mercado americano.

Segundo análise da consultoria StoneX, o Brasil possui participação relevante na cota americana de importação de açúcar bruto. Para o exercício de 2026, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) destinou ao Brasil uma cota de aproximadamente 156 mil toneladas de açúcar bruto.

Na avaliação dos analistas Letícia Correia e Marcelo Bonifácio, da StoneX, o tarifaço pode reduzir os embarques brasileiros para os Estados Unidos e obrigar as usinas, especialmente as do Nordeste, a buscar novos destinos para o produto.

Esse redirecionamento tende a aumentar a disponibilidade de açúcar brasileiro no mercado internacional em um momento de oferta confortável, pressionando as cotações no curto prazo.

As usinas nordestinas devem sentir mais os efeitos porque tradicionalmente têm maior exposição à cota americana de importação.

Com a tarifa adicional, o açúcar brasileiro ficará mais caro para compradores americanos, o que pode reduzir a competitividade do produto e até desestimular o preenchimento da cota destinada ao país.

Proteção histórica ao açúcar

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, a decisão americana amplia uma política de proteção que já existe para o setor.

“No açúcar, eles não abrem o mercado. No etanol, querem que o Brasil abra completamente o seu mercado. Nós não somos protecionistas. Os protecionistas são os americanos”, disse.

Segundo Cunha, existe uma assimetria na relação comercial entre os dois países: enquanto Washington cobra maior abertura brasileira para o etanol americano, mantém o açúcar protegido por cotas, tarifas elevadas e políticas de incentivo aos produtores domésticos.

“Espero que haja uma revisão desses parâmetros e que os Estados Unidos retomem um diálogo mais objetivo e equilibrado para que os negócios possam continuar”, afirmou.

México amplia participação

Enquanto o Brasil enfrenta novas barreiras, o México deve ampliar sua participação no abastecimento de açúcar dos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os EUA devem importar até 1,15 milhão de toneladas de açúcar mexicano na safra 2026/27, volume cerca de cinco vezes superior ao projetado para a safra 2025/26.

O governo mexicano informou que esse aumento está relacionado a um acordo bilateral que passa a estabelecer novas regras para o acesso do açúcar mexicano ao mercado americano.

Os novos termos também devem elevar os pagamentos aos produtores mexicanos de cana-de-açúcar na próxima temporada para 4,76 bilhões de pesos mexicanos, o equivalente a aproximadamente US$ 272 milhões.

Apesar da pressão inicial sobre os preços, analistas avaliam que os efeitos podem ser limitados no médio prazo.

A StoneX destaca que a produção americana de açúcar de beterraba enfrenta riscos climáticos, com temperaturas elevadas afetando regiões produtoras no Hemisfério Norte. Uma redução da oferta doméstica poderia aumentar novamente a necessidade de importações pelos Estados Unidos.

Além disso, o mercado global de açúcar pode caminhar para um cenário de déficit na safra 2026/27, o que tende a dar sustentação às cotações internacionais.

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil

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