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COP30 destaca a combate ao metano, gás mais potente que o CO2 no aquecimento global

Maria Reis por Maria Reis
21 novembro, 2025
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Belém (PA), 12/11/2025 – Pessoas na Blue Zone (Zona Azul) na COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A Conferência sobre as Mudanças Climáticas de Belém (PA) tem dado destaque ao combate a um outro gás com efeito estufa além do CO2: o metano. Com potencial de aquecimento cerca de 30 vezes maior do que o carbono, este gás tem atraído cada vez mais as atenções nas últimas COPs.

O primeiro compromisso global sobre o metano foi assinado apenas em 2021, apesar do alto potencial de aquecimento deste gás. Ele tem, entretanto, curta duração na atmosfera em comparação com o CO2. A diminuição da concentração das moléculas de CH4 tem maior eficiência imediata no combate ao aquecimento global.

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Um estudo da ONU e da Coalizão para o Clima e o Ar Limpo (CCAC), revelado nesta segunda-feira, 17, mostrou que o mundo avançou na queda das suas emissões, originadas principalmente na agricultura, na gestão de resíduos e na produção e queima de combustíveis fósseis.

Mas, para que o objetivo de redução de 30% até 2030 seja atingido, será preciso acelerar a implementação de medidas de mitigação. O cumprimento desta meta resultaria em uma queda de 0,2°C da temperatura global até 2050, salientou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

No Brasil, 25% do total de emissões são de metano e, entre elas, 75% têm origem na agricultura, principalmente na criação de gado. A digestão do boi é o que causa esse efeito.

“Nós precisamos ter um manejo mais eficiente desses animais. Isso passa desde um manejo dos próprios animais, como diminuindo o prazo de abate deles, por exemplo, até a suplementação alimentar, a genética e o manejo dos dejetos”, explica a especialista em boas práticas na pecuária do Imaflora, Renata Potenza.

“Quanto mais velho, mais ele emite, e também quanto mais tempo ele passa no pasto, mais ele emite”, afirma. No Brasil, os animais chegam a ser abatidos aos 42 meses – contra 30 em países como a China.

Financiamento para soluções já conhecidas

Para dar escala às soluções, é preciso capacitação técnica em campo dos produtores e, sobretudo, financiamento para implementar medidas já conhecidas para atenuar as emissões.

Este combate também dialoga com o do desmatamento e da redução do CO2, uma vez que a recuperação de pastos degradados gera uma melhor qualidade para a alimentação do gado e, simultaneamente, contribui para a remoção de carbono no solo. “Ou seja, quando a gente tem uma política no metano, temos vários outros benefícios”, salienta Potenza.

As tecnologias são aliadas deste processo. Aditivos alimentares para o gado, apelidados de “whey protein do boi”, são capazes de quebrar a molécula na digestão e reduzir a emissão do gás. Soluções como essa, entretanto, dão os melhores resultados no gado em confinamento – e, no Brasil, a maioria da produção é feita a pasto, mais barata.

Apoio de ministros

Na semana passada, o Brasil e o Reino Unido lançaram uma iniciativa de aceleração de soluções para a redução de emissões de metano.

Nesta segunda-feira, 17, dezenas de ministros dos países participantes da COP30 apoiaram a tomada de ações para cumprir o compromisso global sobre o tema, trocando experiências e tecnologias úteis para este esforço. As políticas, tecnologias e parcerias necessárias para atingir a meta estão disponíveis, mas exigem uma rápida ampliação nos setores de energia, agricultura e resíduos, constataram.

O relatório do Pnuma mostrou que, embora as emissões de metano ainda estejam aumentando, as projeções para 2030 já são menores do que as previsões anteriores, graças ao lançamento de políticas específicas e regulamentações.

O documento salientou que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e os planos nacionais de ação para o metano, submetidos até meados de 2025, podem se traduzir em uma redução de 8% até 2030, em relação aos níveis de 2020 – mas a implementação completa dos planos nos países do G20, os maiores emissores, poderia elevar esse número para 36%.

“Reduzir as emissões de metano é uma das medidas mais imediatas e eficazes que podemos tomar para desacelerar a crise climática, protegendo a saúde humana. A redução do metano também reduz as perdas de colheitas, essenciais tanto para a produtividade agrícola quanto para a segurança alimentar”, frisou a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, ao apresentar o relatório.

Por: Lúcia Müzell | Fonte: RFI

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