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Etanol de milho responde por 25% da produção nacional

Maria Reis por Maria Reis
16 março, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Setor vive onda de investimentos com 17 biorrefinarias em construção que vão gerar 6 bilhões de litros

O etanol produzido a partir do milho deixou de ser um nicho e se consolidou como um dos segmentos que mais crescem no setor de biocombustíveis no Brasil.

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Impulsionado inicialmente pelo baixo preço do grão e por gargalos logísticos na exportação, o modelo ganhou escala nos últimos anos e hoje já responde por mais de 25% da oferta nacional de etanol, segundo especialistas do setor.

O avanço da produção no mercado interno foi tema de debate no painel sobre a competitividade do etanol de milho e de cana em evento realizado nesta semana em Ribeirão Preto (SP).

Especialistas apontam que a expansão começou principalmente no chamado “core belt” brasileiro do milho, concentrado em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, onde havia grande oferta do grão e dificuldades logísticas para escoamento da produção.

Na época, cerca de doze anos atrás, o milho era negociado entre R$ 16 a R$ 20 por saca, valores até 45% abaixo da referência internacional de Chicago, o que pressionava a renda do produtor rural. “O agricultor praticamente não conseguia capturar valor. Surgiu então a oportunidade de agregar valor ao grão dentro da própria região”, explicou o economista Bruno Wanderley de Freitas, da Datagro.

Esse cenário atraiu investimentos, inclusive de grupos estrangeiros, interessados em transformar o excedente de milho em biocombustível. Naquele período, a participação do etanol de milho na produção total de etanol do país não passava de 2%.

Crescimento acelerado da produção

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 30 plantas de etanol de milho, das quais 11 são unidades flex, capazes de processar tanto milho quanto cana-de-açúcar. A capacidade instalada deve alcançar 12,6 bilhões de litros ao final da safra 2025/26, com produção estimada em 9,6 bilhões de litros.

Para a safra 2026/27, a expectativa é de que o volume produzido chegue perto de 12,8 bilhões de litros, consolidando a importância do milho como matéria-prima do biocombustível.

O crescimento deste setor vem impulsionando o preço do milho no mercado interno. Em regiões produtoras como Sorriso, no norte de Mato Grosso, o milho hoje é negociado em torno de R$ 45 a R$ 46 por saca, mais que o dobro dos valores registrados no início da expansão do setor.

Quando transformado em etanol e coprodutos, o valor do milho equivale a R$ 98 a saca.

Impacto no mercado de etanol

A expansão do etanol de milho vem alterando a dinâmica do mercado brasileiro de biocombustíveis.

Historicamente, o país enfrentava oscilações nos preços do etanol durante a entressafra da cana-de-açúcar. Com as usinas de milho operando durante todo o ano, a oferta se tornou mais regular, reduzindo a volatilidade dos preços.

Essa estabilidade ajudou também a afastar temores recorrentes de falta de biocombustível no mercado interno. Em algumas ocasiões o governo chegou a discutir a redução da mistura obrigatória de etanol na gasolina para evitar problemas de abastecimento.

Nova onda de investimentos

As margens positivas da indústria também incentivam novos projetos. Atualmente, o setor estima 17 plantas de etanol de milho em construção, que podem adicionar cerca de 6 bilhões de litros de capacidade produtiva nos próximos dois a três anos.

Além disso, há pelo menos 20 novos projetos anunciados, ainda em fase de avaliação ou planejamento.

Se todos esses empreendimentos se concretizarem, a participação do etanol de milho na produção total brasileira pode se aproximar de metade da oferta nacional nas próximas décadas, reduzindo a dependência exclusiva da cana.

Logística, custos e coprodutos

Apesar do forte crescimento, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Um deles é a logística. Enquanto o principal polo consumidor de combustíveis está na região Sudeste, especialmente em São Paulo, a maior parte das usinas de milho fica no Centro-Oeste, exigindo transporte por longas distâncias.

Outro ponto de atenção é o custo de produção, especialmente o aumento do preço da biomassa utilizada no processo industrial, que quase triplicou em algumas regiões nos últimos anos.

Também cresce a discussão sobre o destino do DDG e DDGS, coprodutos da produção de etanol de milho utilizados principalmente na alimentação animal. A produção desses insumos deve aumentar significativamente com a expansão das usinas.

Especialistas, porém, avaliam que o mercado interno tem grande capacidade de absorção, impulsionado pela expansão da pecuária intensiva. O Brasil se consolidou recentemente como o maior produtor mundial de carne bovina, e o aumento do confinamento de gado pode ampliar a demanda por ração rica em proteína.

Sinergia com a cana

No setor sucroenergético, a visão predominante é que o etanol de milho não compete diretamente com o etanol de cana, mas atua de forma complementar.

Enquanto as usinas de cana estão mais próximas dos grandes centros consumidores, as plantas de milho surgem como uma alternativa para regiões produtoras de grãos, agregando valor localmente e garantindo maior estabilidade na oferta de biocombustíveis.

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil 

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