De acordo com Guilherme Nastari, a maneira como a alteração foi aprovada mantém teor já aplicado pelo mercado
Embora calcule que um teor de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) represente um adicional de 930 milhões de litros de biocombustível ante a mistura de 30% (E30), um dos diretores da consultoria Datagro não acredita que a mudança na regulação levará a alterações reais no mercado.
De acordo com Guilherme Nastari, a regra em vigor até então permitia uma margem de um ponto percentual, ou seja, a mistura poderia variar de 29% a 31%. “Mas todo mundo opera a 31% porque o anidro está mais barato que a gasolina”, relata durante participação em webinar da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) realizado nesta terça-feira, 28.
Ele ainda acrescenta que, no momento da fiscalização, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também permite um ponto percentual de tolerância adicional. Desta forma, Nastari acredita que o E32 já poderia ser encontrado em postos pelo país.
Contudo, o diretor aponta que essas variações não devem se repetir com o E32 em vigor. “O que foi aprovado foi um 32% ‘seco’ porque não estavam prontas as análises dos testes para a adoção de 34%”, afirma e completa: “De verdade, de 30% para 32% não mudou nada. Esse é o cenário”.
Nastari defende que o setor busque por um aumento de consumo do produto via investimentos em marketing, com foco em atributos do biocombustível que vão além do preço, como os aspectos ambientais. “Como o setor não cuida do cliente, ele perde mercado mesmo quando o preço está baixo”, descreve.
Ele também acrescenta: “O nosso produto é tão sexy, tão atual. Nós temos que cuidar do cliente no Brasil e abrir mercado fora. Se as pessoas comprassem etanol porque ele é ‘verde’ e não porque ele é barato, não estaríamos sofrendo tanto”.
Fonte: NovaCana
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