
O avanço da descarbonização marítima pode criar uma nova frente de demanda para o etanol. Segundo Luiz Cunali Filho, do Grupo Ipiranga, a substituição de combustíveis fósseis utilizados em navios representa uma oportunidade de escala global para produtores brasileiros.
Apesar das metas ambientais estabelecidas para diferentes modais, Cunali destacou que o custo continua sendo o principal obstáculo da transição energética. Mesmo com a volatilidade das cotações, o petróleo ainda permanece mais barato do que a maioria das alternativas renováveis.
O executivo citou o primeiro abastecimento de um navio com etanol como exemplo das possibilidades que começam a ser testadas. O transporte marítimo está entre os setores mais difíceis de descarbonizar e também entre os grandes consumidores de combustíveis pesados.
Atualmente, a navegação mundial consome entre 220 milhões e 250 milhões de toneladas de bunker por ano. Nas projeções apresentadas por Cunali, os navios movidos a metanol que entrarão em operação até 2030 poderiam demandar o equivalente a aproximadamente 35 bilhões de litros de etanol.
Navios flexíveis ampliam possibilidades
Parte das novas embarcações possui motores capazes de operar com diferentes combustíveis, mediante ajustes de software e calibração. Essa flexibilidade poderia facilitar a adoção do etanol em navios originalmente projetados para utilizar metanol ou outras fontes energéticas.
Cunali também mencionou estudos conduzidos por grandes companhias para reduzir emissões em navios e equipamentos pesados. A Vale, por exemplo, possui embarcações encomendadas com tecnologias que poderão permitir a conversão para o uso de etanol.
O desafio permanece econômico. Segundo o executivo, a substituição do bunker pelo etanol poderia praticamente dobrar o custo do transporte, impacto que chegaria ao consumidor. Para aproveitar a demanda futura, o setor brasileiro precisará elevar a produtividade agrícola, ampliar a eficiência industrial e fortalecer a gestão das operações.
Sobre a Reunião Anual
A Reunião Anual Fermentec 2026 está sendo um dos grandes encontros do setor sucroenergético. Realizada durante dois dias no Multiplan Hall, localizado no Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto, a programação reúne representantes de usinas, indústrias, empresas parceiras, pesquisadores e especialistas. O evento tem como objetivos compartilhar conhecimentos, divulgar resultados de pesquisas, apresentar novas tecnologias e discutir tendências capazes de melhorar a produtividade e a eficiência dos processos industriais. A edição de 2026 conta com mais de 850 participantes, 70 empresas parceiras e 30 palestrantes convidados.

Ao longo da programação, são abordados temas relacionados à produção de açúcar, etanol e biocombustíveis, como fermentação, desempenho de leveduras, etanol de milho, automação industrial, aproveitamento da biomassa, eficiência energética, destilação e gestão de dados. Além das palestras e mesas-redondas, a reunião proporciona contato entre profissionais, fornecedores e organizações do setor, fortalecendo parcerias e possibilitando a troca de experiências.
Por: Fábio Palaveri | Portal Visão Agro
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