Embora reconheça a necessidade de ações em momentos de crise, entidade pede por uma política estruturante direcionada aos biocombustíveis

Os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã geraram forte volatilidade nos mercados globais de energia. “No setor de petróleo bruto e derivados, o conflito gera impacto imediato na diminuição da oferta, insegurança e incertezas no abastecimento e, consequentemente, eleva os custos ao longo da cadeia logística desse energético”, resume a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), em nota.
A entidade cita que, desde o início da escalada do conflito no Oriente Médio até hoje, o preço do petróleo tipo Brent teve uma alta superior a 50%, sendo cotado acima de US$ 100 por barril.
“Basicamente, todas as economias serão impactadas, inclusive o Brasil. O que muda, será o nível de impacto que a alta do petróleo causará em cada economia”, afirma, complementando que esse efeito poderia ser mitigado no Brasil, especialmente no consumo e no preço do diesel.
De acordo com os dados trazidos pela ABiogás, o Brasil importou aproximadamente 17 bilhões de litros de diesel em 2025, o que representa 25% do consumo. “Esse cenário evidencia a vulnerabilidade do país devido à forte dependência externa para garantir o abastecimento, além de estarmos expostos às volatilidades de câmbio e às flutuações internacionais do petróleo, fatores que comprometem a previsibilidade de custos e a competitividade”, detalha.
Por conta disso, a entidade afirma que o Brasil “pode e deve” se beneficiar de sua “pluralidade energética”, ao adotar diferentes rotas tecnológicas e explorar as vantagens competitivas dos biocombustíveis. Neste caso, a ABiogás destaca o biometano, que pode ser usado em substituição ao diesel.
“A ABiogás reconhece a relevância da Medida Provisória nº 1.340/26, que estabelece uma subvenção de R$ 10 bilhões, reflexo da isenção dos impostos federais PIS e Cofins sobre o diesel, produzido no Brasil ou importado. Essa MP não é inédita no setor”, declara.
Ainda assim, a entidade complementa: “Em momentos de crise, ações desse tipo visam mitigar impactos imediatos, porém é essencial que as políticas públicas busquem atacar as causas e não apenas os efeitos – medidas emergenciais são importantes, mas não substituem políticas estruturantes”.
A ABiogás ainda defende que os recursos sejam “alocados de forma estratégica”, com foco no desenvolvimento de setores nacionais e que permitam reduzir a dependência brasileira do diesel importado.
“Estudos econômicos apontam que cada R$ 1 investido na cadeia do biometano gera impactos multiplicadores e significativos na economia, gerando empregos e renda local. Adicionalmente, é possível estimar o investimento necessário para substituir integralmente o diesel importado pelo biometano, reforçando a viabilidade de uma política pública estruturante”, afirma.
Segundo a ABiogás, atualmente, o Brasil possui uma frota em torno de 2,6 milhões de ônibus e caminhões. Por conta disso, acredita ser “extremamente relevante” que políticas públicas comecem a prever a inclusão do biometano na frota de transporte pesado, seja por meio de fundos específicos para troca de motorização ou pela construção de novas plantas de biometano. “Uma vez o investimento feito no setor, a troca de combustível é permanente”, completa.
Ainda de acordo com a entidade, a equivalência energética entre o diesel e o biometano é basicamente 1 para 1, ou seja, 1 litro de diesel é equivalente a 1 m³ de biometano. Além disso, estudos internos apontaram que o Brasil tem uma capacidade teórica, no curto prazo, de produzir o equivalente a cerca de 35 milhões de m³ por dia, o que representaria cerca de 75% do diesel importado.
“Em um cenário alternativo, caso o setor contasse com uma subvenção de R$ 10 bilhões para aumentar e expandir a produção de biometano, poderíamos substituir 8% da demanda do diesel importado”, calcula e segue: “Em um cenário acelerado de subvenção com financiamento do BNDES, poderíamos substituir 25% do diesel importado”.
A ABiogás ainda defende que o biometano é o combustível de menor emissão de gases de efeito estufa disponível atualmente, conforme estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Por isso, defende que o setor de biometano seria a chave para mitigar a dependência energética do diesel no Brasil, como uma solução “madura, confiável e replicável em diversos estados da União”.
Assim, a entidade acredita que políticas públicas e incentivos fiscais direcionados aos combustíveis fósseis também devem ser alocadas aos renováveis, em especial ao biometano. Para completar, solicita que os órgãos responsáveis busquem soluções com o objetivo de mitigar fatores externos, “de modo a combinar redução de emissões, geração de empregos e independência energética, garantindo competitividade, segurança e sustentabilidade no transporte brasileiro”.
Segundo a ABiogás, este posicionamento visa propor soluções estratégicas de longo prazo e estruturantes para o país, além de incluir o biometano como um energético estratégico, nesse momento de crise, dentro da subvenção.
Fonte: NovaCana
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