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Acelen Renováveis inicia implantação de biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
25 maio, 2026
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Tempo de leitura: 4 minutos
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A planta terá capacidade de produzir 1 bilhão de litros de combustível renovável de aviação (SAF) e diesel verde; empresa pretende investir US$ 12,5 bilhões em um pacote de cinco biorrefinarias

Projeto prevê o plantio de 800 mil mudas de macaúba em 200 hectares — Foto: Divulgação/Acelen

A Acelen Renováveis anunciou nesta quinta-feira, 21, investimentos de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões) para a construção da primeira de cinco biorrefinarias que a empresa pretende implantar no país.

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A unidade terá capacidade de produzir 1 bilhão de litros de combustível renovável de aviação e diesel verde (SAF e HVO, nas siglas em inglês). O volume corresponde a uma produção de 20 mil barris por dia de biocombustíveis.

A empresa é o braço de renováveis da refinaria Acelen, ex-Mataripe, na Bahia. É controlada por Mubadala Capital, de Abu Dhabi. Caso as cinco unidades de biorrefino se confirmem, o investimento total previsto é de US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 62,5 bilhões em valores atuais).

Para desenvolver o projeto, a Acelen Renováveis estrutura financiamento com um consórcio de 12 instituições financeiras nacionais e internacionais, liderado pelo HSBC e IFC, instituição do Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado. A modalidade é do tipo “project finance”, em que o empréstimo é pago com a geração de caixa do empreendimento. O prazo de pagamento é de 5,5 anos.

Do total de US$ 1,5 bilhão, US$ 650 milhões (R$ 3,25 bilhões) serão aportados pelo Mubadala Capital e os US$ 850 milhões restantes (R$ 4,25 bilhões) correspondem ao financiamento que envolve as seguintes instituições: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco, First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), BID Invest, Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), Development Finance Institute Canada (FinDev Canada), KfW IPEX-Bank, BBVA e Bank of China.

A matéria-prima será a macaúba, vegetal com alto potencial energético, e a produção agrícola está incluída no projeto. A Acelen investirá US$ 3 bilhões nos próximos dez anos no desenvolvimento agroindustrial, que inclui as etapas de plantio, extração e beneficiamento dos produtos da macaúba. O valor considera o US$ 1,5 bilhão da primeira biorrefinaria.

O cultivo da macaúba será feito em áreas degradadas que somam 144 mil hectares na Bahia. No começo, a usina vai operar com outros produtos vegetais, como óleo de cozinha reciclado e soja, até que a produção da macaúba esteja disponível.

O modelo vertical, que inclui o plantio e colheita da macaúba, também prevê que 20% da matéria-prima seja comprada de pequenos agricultores, no âmbito de um programa da empresa para apoiar a agricultura familiar.

“Daremos todo o suporte para que eles [os agricultores] acessem a semente e toda a parte técnica, mais um complemento de renda até a macaúba começar a produzir”, disse o presidente da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça.

Segundo Mendonça, a previsão é que a unidade entre em operação comercial no primeiro trimestre de 2029. A planta será localizada nos arredores da refinaria de Mataripe, no município de São Francisco do Conde (BA). A estimativa é que no pico das obras sejam gerados cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos.

“Já estamos com toda a engenharia básica pronta e temos todas as licenças para começar a construção. Para todo o trabalho de movimentação e fundação, isso começa imediatamente. Já temos o que eles chamam de ‘kick-off meetings’ [reuniões de pontapé inicial] da engenharia”, disse o executivo.

O projeto tem como vantagens o aproveitamento da infraestrutura existente em Mataripe, como dutos e acesso ao porto vizinho de Madre de Deus, que possui a maior profundidade para navios (calado) em terminais privados do Nordeste, afirmou Mendonça. Segundo o executivo, 90% da produção futura da biorrefinaria está contratada.

Sobre a expansão futura, Mendonça disse que as próximas plantas de biorrefino não necessariamente serão feitas na Bahia e a decisão de construí-las dependerá de fatores como logística competitiva: “À medida que a gente vai construindo e crescendo, teremos ganhos de escala e de otimização de custos importantes”.

Embora o projeto venha sendo desenvolvido há alguns anos, o atual contexto geopolítico favorece o projeto na Bahia, disse Mendonça. Para ele, o investimento alia sustentabilidade e competitividade dada a localização da planta, que viabiliza exportações para Estados Unidos e Europa, mercados atrativos. “O segredo desse negócio não é construir a planta, é ter um feedstock [matéria-prima] competitivo.”

Por: Fábio Couto | Fonte: Globo Rural

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