Plano da usina prevê expansão em etanol de milho, captura de CO₂ e novas rotas de bioenergia
A Usina Pitangueiras, localizada no interior de São Paulo, projeta um pacote de investimentos estimado em cerca de R$ 1 bilhão com foco em etanol de milho, biometano e captura de CO₂, sigla para dióxido de carbono. O plano reforça a linha fina ao mostrar o avanço da companhia em novas rotas de bioenergia e a busca por maior diversificação industrial.
Entre os projetos em estudo está a implantação de uma planta de etanol de milho, com capacidade prevista para processar aproximadamente 400 mil a 500 mil toneladas do cereal por ano. A iniciativa colocaria a Pitangueiras em um modelo de operação mais flexível, combinando a produção tradicional a partir da cana-de-açúcar com o aproveitamento do milho.
Segundo o diretor-presidente da Usina Pitangueiras, João Henrique de Andrade, a estratégia faz parte de uma visão de longo prazo para ampliar a presença da empresa no mercado de biocombustíveis. A expectativa é que a nova estrutura possa entrar em operação entre 2028 e 2029, caso os estudos técnicos e econômicos avancem conforme o planejado.
O movimento acompanha a expansão do etanol de milho no Brasil, segmento que vem ganhando espaço principalmente pela integração entre energia, proteína animal e coprodutos industriais. Além do combustível, esse tipo de planta pode gerar DDG, sigla para grãos secos de destilaria, usado na nutrição animal, e óleo de milho.
Nova rota energética
Outro ponto estratégico do plano é o biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás. No caso da Pitangueiras, a proposta pode ser integrada ao aproveitamento de resíduos orgânicos, captura de carbono e confinamento de gado, criando uma cadeia mais conectada entre agroindústria, energia e sustentabilidade.
Para o setor sucroenergético, o projeto reforça uma tendência de transformação das usinas em biorrefinarias. Na prática, isso significa ampliar o uso da biomassa e dos resíduos para produzir não apenas açúcar e etanol, mas também energia, gás renovável, coprodutos e soluções ligadas à descarbonização.
A possível aplicação de R$ 1 bilhão ainda depende de estudos de viabilidade, mercado, logística e condições de financiamento. Mesmo assim, o planejamento da Pitangueiras sinaliza como a bioenergia brasileira avança para uma fase mais diversificada, na qual cana, milho, biometano e carbono passam a fazer parte de uma mesma estratégia de crescimento.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro com informações de Canaoeste
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