
O avanço do etanol de milho está mudando a dinâmica do mercado brasileiro de biocombustíveis. Segundo Amaury Pekelman, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a produção do segmento se aproxima de 10 bilhões de litros, após registrar crescimento médio de cerca de 37% ao ano nos últimos cinco anos. A avaliação foi apresentada durante painel da Fenabio, conferência realizada na Fenasucro & Agrocana 2026.
Para Pekelman, a expansão do milho não deve ser tratada como uma disputa com a cana-de-açúcar. Na avaliação do executivo, as duas matérias-primas são complementares e ajudam a ampliar a oferta nacional de etanol. O crescimento do milho também contribuiu para reduzir parte da sazonalidade historicamente associada à entressafra da cana.
O Mato Grosso concentra atualmente cerca de 70% da produção brasileira de etanol de milho, mas novos projetos começam a ampliar essa presença para outras regiões. O setor também acompanha o avanço de usinas flex e novos investimentos em estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo.
O crescimento acelerado, porém, cria um novo desafio. Segundo Pekelman, o mercado começa a enfrentar um cenário em que a oferta pode superar a demanda, situação diferente da observada durante boa parte das últimas décadas. Para os produtores, isso aumenta a pressão sobre preços e reforça a necessidade de desenvolver novos canais de consumo.
O concorrente é o combustível fóssil
Na avaliação do presidente da UNEM, o principal concorrente do etanol não é a matéria-prima utilizada em sua produção, mas a gasolina e os demais combustíveis fósseis. “Não é o etanol de milho versus o etanol de cana. É o combustível fóssil”, afirmou. Para ele, o setor precisa entender melhor o comportamento do consumidor e aumentar a participação do biocombustível no mercado nacional.
Entre as oportunidades domésticas, Pekelman destacou regiões como Sul, Norte e Nordeste, onde o consumo de etanol ainda é relativamente baixo. Com maior disponibilidade do produto, o desafio passa a ser criar estratégias para ampliar a demanda e convencer o consumidor a incorporar mais o combustível renovável em suas escolhas.
Outra frente apontada pelo executivo está no transporte marítimo. Segundo ele, o biobunker avança mais rapidamente do que o setor imaginava e pode representar um mercado da ordem de 40 bilhões de litros, dependendo da evolução das regulamentações internacionais e da adaptação das embarcações.
Para Pekelman, a perspectiva de aumento da oferta deve ser vista também como oportunidade. Com 29 plantas e outros 13 projetos mencionados durante sua apresentação, o etanol de milho ainda possui espaço para crescer, mas esse avanço exigirá novos mercados, mais atenção ao consumidor e maior substituição dos combustíveis fósseis pelo etanol brasileiro.
Por: Fábio Palaveri | Portal Visão Agro
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.














