O fechamento do Estreito de Ormuz, em virtude da eclosão da guerra no Irã, colocou em risco cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes. No entanto, o teto dos preços internacionais dependerá fortemente das decisões políticas adotadas por grandes exportadores e importadores fora do Golfo Pérsico nos próximos meses.
De acordo com uma análise de modelagem econômica dos pesquisadores Shawn Arita, Ming Wang e Joseph Glauber, do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFPRI), as restrições à exportação em grandes “players” globais e os subsídios em nações compradoras têm potencial de acelerar sua trajetória de queda.
Até o mês de abril, os preços mundiais da ureia praticamente dobraram e os do fosfato diamônico (DAP) subiram 35% em decorrência do bloqueio de 21 milhões de toneladas de capacidade anual de exportação de ureia e de 4 milhões de toneladas de DAP na região do Golfo.
No lado da oferta, a conduta de China, Rússia, Egito e Indonésia – que, juntos, concentraram cerca de 35% das exportações globais totais – dita o volume residual de insumos que atinge o mercado internacional.
A China mantém um controle rígido via regime de inspeção aduaneira (CIQ), reduzindo seus embarques de ureia a apenas 260 mil toneladas em 2024 antes de migrar para um sistema de cotas estruturado que permitiu uma recuperação para 5,8 milhões de toneladas em 2025.
A Rússia, por sua vez, caminha em uma direção regulatória mais permissiva, tendo anunciado uma elevação de suas cotas temporárias para 20 milhões de toneladas no período de junho a novembro de 2026.
O modelo matemático do estudo alerta que um eventual endurecimento coordenado nas restrições desses quatro países retiraria 3,5 milhões de toneladas de ureia do comércio mundial (7% do total), adicionando US$ 134 por tonelada ao preço da ureia e US$ 224 por tonelada ao preço do DAP em relação ao cenário base.
Pelo lado da demanda, os programas de subsídios na Índia – que, sozinha, absorve quase 20% das importações globais de ureia – blindam os produtores locais contra os picos de preços externos, transferindo a necessidade de ajuste de consumo para mercados não subsidiados, como a América Latina, com ênfase no Brasil.
A análise demonstra que a imposição de barreiras à exportação provoca efeitos maiores sobre o equilíbrio internacional do que a oscilação nos subsídios à importação.
Essa disparidade ocorre porque as restrições de venda causam um choque físico de quantidade em uma cadeia cuja oferta é altamente inelástica no curto prazo, uma vez que a construção de novas plantas de amônia requer um período de três a cinco anos para ser concluída.
Por: Guilherme Nannini | Fonte: Agência Estado
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