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Disputa comercial entre Brasil e EUA pelo etanol pode levar à revisão da tarifa brasileira

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
27 maio, 2026
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Brasil ganha prazo para negociar com os EUA após investigação americana que pode resultar em novas taxas sobre importações

O etanol brasileiro está entre os itens da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, já que a investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial americano incluiu a revisão da tarifa de 18% imposta pelo Brasil para importação do combustível.

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A questão fez parte da pauta do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, no início de maio.

O governo americano alega que a taxação configura prática comercial desleal, uma vez que o etanol brasileiro paga 2,5% para entrar nos EUA, o que gerou na ocasião expectativas de novo tarifaço caso o Brasil mantivesse sua posição.

O governo brasileiro discorda e defendeu, durante a reunião, o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA – que permite ao governo americano aplicar tarifas adicionais sobre importações – e que inclui, além do etanol, Pix, desmatamento e propriedade intelectual.

Diante do impasse, ficou acertado que equipes de ambos os países trabalharão por 30 dias para avançar nas negociações sobre tarifas. No fim do prazo, a proposta será apresentada aos presidentes. Com isso, o governo brasileiro ganha tempo, uma vez que a investigação americana terminará em julho, com possibilidades de resultar em novo aumento de taxas por parte do governo dos EUA.

“A ideia do grupo de trabalho bilateral é bem interessante porque conseguiremos nos reunir com os pares americanos. Acredito que a diplomacia corporativa vai prevalecer, porque encontra pontos de convergência nas relações comerciais e os números do setor produtivo”, diz a diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patrícia Arantes.

As relações comerciais foram afetadas no ano passado, quando os EUA aplicaram tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras. Parte foi retirada após decisão da Suprema Corte dos EUA, mas permanece em vigor, até julho, tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.

Poucos impactos

Apesar do impasse, o Brasil revisou regras que agradaram aos americanos, permitindo a inclusão do etanol importado no programa RenovaBio sem necessidade de intermediário nacional.

A Copersucar recebeu a primeira aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para importar etanol anidro da americana Plymouth Energy LLC, que dá acesso à venda de créditos de descarbonização emitidos por produtores de combustíveis renováveis.

A mudança, segundo fontes do setor, não terá impactos expressivos sobre o mercado, sobretudo devido ao baixo volume de importação de etanol no país. Além disso, é grande atualmente a oferta de CBios (créditos de descarbonização emitidos pelas usinas certificadas pela ANP) no mercado, levando a uma baixa de preços.

A questão tarifária, segundo Arantes, vem em um momento de investimentos elevados da indústria de etanol de milho no Brasil.

“Se a tarifa de importação brasileira fosse retirada, haveria excedente de milho no Brasil, o que poderia causar um desgaste financeiro grande para os produtores nacionais. Já nos EUA isso não aconteceria”, coloca.

O impasse ocorre em meio à expansão das usinas de processamento de etanol de milho no Brasil, principalmente nos estados do Centro-Oeste, ampliando a capacidade de exportação nacional. “Nos tornamos o principal competidor dos Estados Unidos, o que gera dificuldades comerciais”, diz.

O cenário do mercado de etanol mudou em relação ao de 2025, mas a posição da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) é a mesma do ano passado, quando a entidade manifestou “confiança na atuação do governo brasileiro na defesa dos interesses estratégicos do país, em especial no campo dos biocombustíveis”.

Hoje, o Brasil convive com balanço confortável entre oferta e demanda, ao contrário do ocorrido na virada de 2025 e 2026, quando houve aperto de estoque de etanol, por conta de uma safra de açúcar mais forte no Brasil e do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%.

Diante disso, apesar da tarifa de 18%, o Brasil importou cerca de 247 milhões de litros de etanol de milho dos EUA entre janeiro e abril de 2026, alta de 350% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas o comportamento ao longo de 2026 deverá ser outro.

A expansão em curso no Nordeste elevou a capacidade de produção. A safra 2025/26 de cana-de-açúcar, encerrada em março, registrou sua maior produção de etanol da série histórica: 37,5 bilhões de litros, 0,8% acima da safra anterior. A alta é influenciada pela maior produção, que cresceu 29,8% na comparação com a safra 2024/25, chegando a 10,17 bilhões de litros.

Por: Mônica Magnavita | Fonte: O Globo

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