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Credores já não contam mais com aporte de R$ 500 milhões de Ometto na Raízen

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
27 maio, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Ausência do empresário na operação de capitalização da empresa é uma possibilidade

Em meio à possibilidade de que Rubens Ometto, empresário dono da Cosan, deixe de compor o aumento de capital da Raízen, parte dos credores já não conta com os R$ 500 milhões que viriam do empresário para somar, com a Shell, um aporte de R$ 4 bilhões na companhia.

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A Coluna do Broadcast apurou que a permanência ou não de Ometto no arranjo de capital novo na Raízen ainda está em discussão, sendo a sua ausência uma das opções sérias na mesa. No contexto geral da empresa, no entanto, o aporte de Ometto não faria diferença para reequilibrar financeiramente a companhia, afirmou uma das fontes ouvidas.

A Raízen é uma joint venture entre a Cosan e a Shell, e entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março, com dívidas de R$ 65 bilhões. A intenção da companhia, segundo fontes, é levar um plano para ser homologado na Justiça no início de junho, quando se encerra o prazo de 90 dias previsto por lei.

As negociações entre os credores e a Raízen andam de lado. Os credores detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) tentavam costurar um empréstimo sênior e com garantias para a Raízen, da ordem de R$ 2,5 bilhões. “O custo desse empréstimo e as garantias eram inviáveis”, disse um dos interlocutores que participa das negociações.

Os bondholders também vinham defendendo uma taxa de conversão de dívida em ações menor do que os 45% propostos pela companhia. No entanto, a taxa de conversão tem de ser suficiente para reequilibrar o passivo da companhia de forma que, ao consolidar a Raízen em seu balanço, a Shell não traga para dentro um problema.

Acordo deve ser alcançado

Pessoas de diferentes lados da negociação, porém, afirmaram à reportagem que o caminho é de acordo até o dia 9 de junho, data limite para aprovação do plano.

O entendimento é de que uma recuperação judicial seria pior para todos os envolvidos, ainda que, como forma de pressão, essa possibilidade surja vez ou outra de forma retórica. “Há muito barulho e pressão, mas vai se chegar a um acordo até o dia 9”, afirmou uma das fontes com contato próximo a bondholders.

Procurada, a Shell afirmou que, como acionista, “apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes. Esse processo é uma medida prudente e necessária para envolver ainda mais as partes relevantes nas soluções necessárias para enfrentar os significativos desafios financeiros da Raízen e apoiar sua recuperação”.

A Shell empresa reafirmou ainda que propôs injetar R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural. “A Shell continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio”, disse a companhia em nota.

Procuradas, Cosan e Raízen não comentaram.

Cosan deve ter participação reduzida

Em conversa com acionistas na última semana, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que as negociações com os credores da Raízen têm evoluído. Ao reforçar que a Cosan não acompanhará o aporte de capital a ser feito na empresa pela Shell, ele disse que isso vai resultar em uma diminuição substancial da participação da Cosan na companhia.

Esta diluição ainda não tem tamanho exato: “Há alguns pontos importantes que ainda estão sendo discutidos, como, por exemplo, além do tamanho da conversão, o preço de conversão”. Segundo o executivo, a Cosan também não tem intenção de se manter em um acordo de acionistas com a Shell.

“Isto posto, o que se pode esperar é que tenhamos uma participação que pode ser vendida em um horizonte que vamos definir ainda, não sabemos qual é esse horizonte, nem temos ainda uma decisão concreta que vamos vender”, acrescentou.

Por: Talita Nascimento e Cynthia Decloedt | Fonte: Agência Estado

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