Mesa redonda do Simpósio ISA São Paulo Section: Automação em Bioenergia destacou a evolução do controle operacional nas usinas e o papel da tecnologia como aceleradora de resultados, sem perder de vista a importância das equipes e da cultura de excelência

A busca por maior produtividade, estabilidade operacional e eficiência industrial esteve no centro da mesa redonda “Controle Operacional de Excelência”, realizada durante o Simpósio da International Society of Automation (ISA) São Paulo Section: Automação em Bioenergia. O encontro reuniu especialistas para discutir como automação, dados e inteligência artificial estão transformando a operação das usinas bioenergéticas. O painel contou com o moderador Maurício Arakaki, da Promon Engenharia, além de André Lins, consultor especialista e co-fundador da Pentagro, Guilherme Fraga, do Grupo São Martinho, e Márcio Venturelli, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
Ao abordar a evolução do controle operacional nas unidades industriais brasileiras, André Lins destacou a mudança de um modelo fortemente dependente da experiência dos operadores para uma realidade baseada em dados. Segundo ele, a consolidação da instrumentação industrial, a redução dos custos dos sensores e o avanço dos protocolos de comunicação permitiram que as usinas passassem a operar com maior previsibilidade e capacidade analítica.
O especialista lembrou que, após a fase inicial de digitalização e monitoramento, o setor avançou para aplicações de controle de processo mais sofisticadas e, posteriormente, para modelos de operação assistida por gêmeos digitais. Na avaliação dele, o segmento vive atualmente um momento de transição tecnológica, marcado pela convergência entre controle avançado, gêmeos digitais e inteligência artificial, combinação que pode redefinir a forma como as operações industriais são conduzidas nos próximos anos.
Para André, a nova etapa representa uma oportunidade semelhante àquela vivida pelo setor durante a introdução dos sistemas de automação industrial décadas atrás. A expectativa é que a integração dessas tecnologias amplie a capacidade de tomada de decisão em tempo real, reduza perdas operacionais e aumente a eficiência das plantas bioenergéticas.

Tecnologia e pessoas
Representando o Grupo São Martinho, Guilherme Fraga trouxe uma visão voltada à gestão da excelência operacional. Para ele, a excelência não deve ser medida apenas pelos resultados alcançados, mas pelo esforço contínuo das equipes em extrair o máximo desempenho possível dos processos e ativos industriais. Nesse contexto, a tecnologia surge como um fator acelerador, mas não como substituta da cultura organizacional.
Segundo Guilherme, uma solução tecnológica tende a apresentar melhor desempenho quando implementada em ambientes que já possuem processos estruturados e equipes comprometidas com a melhoria contínua. O executivo reforçou que muitas iniciativas fracassam não por limitações da tecnologia, mas pela forma como são conduzidas pelas pessoas responsáveis pela operação e pela gestão dos sistemas.
O debate também destacou um dos principais desafios enfrentados pelas grandes organizações: preservar padrões de excelência em estruturas cada vez mais complexas e escaláveis. No caso da São Martinho, o crescimento das operações exige que conhecimentos antes concentrados em profissionais experientes sejam transferidos para ferramentas digitais, sistemas de apoio à decisão e plataformas de treinamento capazes de disseminar boas práticas em larga escala.
Na prática, as discussões reforçaram uma tendência cada vez mais presente na agroindústria bioenergética: o avanço da automação não elimina o fator humano, mas amplia sua relevância estratégica. À medida que inteligência artificial, análise de dados, gêmeos digitais e controle avançado ganham espaço nas usinas, cresce também a necessidade de profissionais capacitados para interpretar informações, tomar decisões e garantir que a tecnologia gere valor para o negócio.
Sobre a ISA
A ISA – International Society of Automation – é uma associação profissional sem fins lucrativos, que conecta a comunidade de automação e aprimora a competência técnica dos profissionais para alcançarem a excelência operacional nas indústrias. A organização desenvolve normas técnicas amplamente adotadas por indústrias dos mais diversos segmentos em todo o mundo, certifica profissionais de automação industrial, oferece educação e treinamento, publica livros e artigos técnicos, promove conferências e exposições e fornece programas de networking e desenvolvimento de carreira para seus membros em todo o mundo.
Fonte: Redação Visão Agro
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