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Tarifa dos Estados Unidos ao etanol brasileiro pode afetar mercado global, diz StoneX

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
12 junho, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Biocombustíveis
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Bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil. – Foto: Alan Santos.

A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de até 25% sobre o etanol brasileiro, no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301, pode alterar de forma significativa o equilíbrio do mercado global de biocombustíveis e representar um novo desafio competitivo para o Brasil. A avaliação é da StoneX.

A medida surge em um contexto de crescente tensionamento comercial entre os dois países. O governo americano tem classificado como “irrazoável” a decisão do Brasil, em 2017, de encerrar a política de reciprocidade tarifária no comércio bilateral de etanol, movimento que marca o início de uma nova fase na disputa comercial entre as duas maiores economias relevantes para o setor.

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Segundo a StoneX, a eventual implementação da tarifa de 25% consolida uma “agenda de caráter protecionista” por parte dos Estados Unidos, com o objetivo de fortalecer sua indústria doméstica de etanol de milho. Esse movimento ocorre de forma simultânea à ampliação de políticas internas de estímulo à demanda, como a proposta de liberação da gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano.

Atualmente, a comercialização do E15 sofre restrições durante os meses de verão por questões ambientais. A aprovação do projeto em tramitação eliminaria essa limitação, permitindo um consumo contínuo de etanol ao longo do ano e ampliando a absorção doméstica da produção americana.

Impactos diretos da tarifa na competitividade brasileira

Na prática, a combinação entre tarifa e expansão do E15 representa um duplo movimento: ao mesmo tempo em que restringe o acesso do etanol importado ao mercado americano, também eleva a demanda interna por produção local, reduzindo o espaço para concorrentes externos.

“A proposta de tarifa, somada ao avanço do E15, aponta para um fechamento maior do mercado americano ao etanol importado justamente em um momento de aumento estrutural da demanda interna”, afirma a analista de inteligência de mercado da StoneX, Letícia Corrêa.

De acordo com ela, o impacto direto para o Brasil é a perda de opcionalidade estratégica no mercado norte-americano, ainda que os volumes atuais exportados ao país sejam relativamente reduzidos em comparação a outros destinos.

“A tarifação cria uma barreira relevante para o etanol brasileiro e pode limitar sua competitividade no mercado dos Estados Unidos, retirando uma alternativa importante de comercialização”, explica.

Reconfiguração do mercado global de etanol

Além do impacto bilateral, ela acredita que a medida pode provocar efeitos relevantes sobre o mercado global. Com o avanço do E15 e a maior absorção doméstica do etanol nos Estados Unidos, a tendência é de redução do excedente exportável do país, hoje um dos principais fornecedores mundiais do biocombustível.

Esse cenário tende a redistribuir fluxos comerciais e abrir espaço para outros players no mercado internacional. “A redução das exportações americanas cria uma oportunidade para que o Brasil amplie sua participação em mercados como União Europeia e Índia, onde há crescimento da demanda por biocombustíveis”, afirma Letícia Corrêa.

No entanto, a analista ressalta que essa oportunidade vem acompanhada de maior incerteza. “O desafio será equilibrar esse novo cenário, em que há mais espaço em alguns mercados, mas também mais restrições em outros, como o próprio mercado americano”, diz.

Efeitos sobre preços e dinâmica de oferta e demanda

A analista aponta ainda que o redesenho dos fluxos globais pode impactar a dinâmica de preços. A retração da oferta exportável dos Estados Unidos, combinada com a expansão de mandatos de mistura em diferentes regiões, tende a gerar um ambiente mais apertado no balanço global de oferta e demanda, sustentando as cotações no médio prazo.

No Brasil, esse movimento ocorre em paralelo a um cenário doméstico de elevada produção. O país entra na safra 2026/27 com mix etanoleiro elevado, produção robusta e preços internos pressionados, o que aumenta a dependência de mercados externos para escoamento do biocombustível.

Nesse contexto, a analista da StoneX acredita que o eventual fechamento do mercado americano ganha ainda mais relevância estratégica.

Perspectivas para o mercado de etanol

Para Corrêa, o avanço da proposta de tarifa reforça uma mudança mais ampla na dinâmica do setor global de etanol, marcada por maior intervenção regulatória, disputas comerciais e reconfiguração dos fluxos internacionais.

“O movimento sinaliza que os Estados Unidos estão priorizando o fortalecimento da indústria doméstica, mesmo diante de um cenário global de expansão da demanda por etanol”, afirma e segue: “Para o Brasil, isso significa operar em um ambiente mais competitivo e menos previsível, exigindo maior diversificação de mercados e estratégias comerciais mais robustas”.

Fonte: StoneX

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