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Empresas vão aos EUA para tentar barrar tarifaço; veja os argumentos

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
7 julho, 2026
em Política e Governo
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Mercado Política e Governo
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Setores como máquinas, café, madeira e rochas ornamentais vão a Washington nesta segunda-feira, 6, defender que a tarifa prejudica também empresas e consumidores americanos

Representantes de empresas brasileiras e entidades setoriais participam, a partir desta segunda-feira, 6, de audiências em Washington, nos Estados Unidos, em um esforço para impedir a adoção de tarifas de 25% propostas pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês).

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O principal argumento é que, além de prejudicar negócios no Brasil, a taxação elevará custos para empresas e para o consumidor americano, além de reduzir investimentos e empregos no país.

Pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o ex-secretário de comércio exterior Welber Barral vai apontar falhas no relatório do USTR, inclusive em relação à lei americana e às exigências da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Mas também em relação às exigências da OMC, aos dados que não foram considerados, principalmente os de desmatamento, que estão desatualizados”, completa.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumenta que as críticas às tarifas preferenciais, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento não têm respaldo em evidências econômicas nem nas regras da OMC, defendendo uma solução por cooperação bilateral.

Por sua vez, a diretora de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Patrícia Gomes, da entidade, vai defender que mais de 80% do comércio bilateral do setor ocorre entre companhias coligadas – matriz e filial – e que a taxação afetaria a própria indústria americana em setores como infraestrutura e energia.

“Em componentes para a produção nos EUA, seria difícil fazer uma substituição rápida (de importações), dando oportunidade a outros países como a China”, afirma.

A importação de máquinas e equipamentos do Brasil pelos EUA somou US$ 3,2 bilhões em 2025, com superávit de US$ 1,2 bilhão para os americanos. Número que, segundo Gomes, mostra que a taxação não se justifica.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), representada pelo embaixador Roberto Azevedo, ex-presidente da OMC, vai questionar a tarifa adicional de 25%, argumentando que a medida não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico e que o Brasil tem avançado nos temas sob investigação do USTR.

Pelos cálculos da entidade, mais de 35,2% das manufaturas exportadas pelo Brasil seriam alvo de novas tarifas.

A WEG, cuja subsidiária americana é a segunda maior fabricante de motores elétricos dos EUA, leva à audiência o presidente de sua filial estadunidense, Peter Barry, que vai citar os 2,3 mil colaboradores da empresa nos EUA e sua integração a cadeias de energia, indústria e infraestrutura.

Outro argumento da empresa é que a tarifa “reduziria a competitividade da economia americana e prejudicaria os trabalhadores, sem promover os objetivos da investigação ou corrigir as práticas que ela busca combater”.

No mês passado, a WEG fechou contrato para fornecer cerca de 600 motores ao Thacker Pass, unidade de processamento de lítio em construção em Nevada com US$ 2,23 bilhões em financiamento do Departamento de Energia americano.

Já a Bauducco vai centrar sua argumentação na nova fábrica de US$ 200 milhões inaugurada pela subsidiária americana da empresa na Flórida no mês passado, segundo documento de solicitação para testemunhar na investigação.

A unidade dobra a capacidade de produção da companhia nos EUA, concentra toda a linha de wafers em um único local e deve gerar 600 empregos em plena capacidade, além de reduzir custos e prazos ligados à importação de insumos.

Com base nesse investimento, o CEO Stefano Mozzi vai pedir exclusão dos produtos da empresa do tarifaço por três a cinco anos, argumentando que a taxação resultaria em menos investimento, menos empregos e mais custo para o consumidor americano.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), por sua vez, vai destacar que metade das exportações brasileiras do setor vai para os EUA, supridas principalmente por florestas plantadas com manejo sustentado e sistemas de rastreabilidade.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), representado por seu diretor-geral, Marcos Matos, vai buscar manter a isenção tarifária para o café verde brasileiro e ampliar a lista de exceções da Seção 301 para incluir o café solúvel – estratégia construída junto com a National Coffee Association (NCA), entidade da indústria cafeeira americana que apoia a posição brasileira:

“O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, enquanto os Estados Unidos são o maior consumidor. Quando surgiu a perspectiva de tarifas sobre o café brasileiro, a inflação do produto chegou a ser oito vezes maior que a inflação média americana”, destaca.

Já a Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Controrochas), pelo vice-presidente Fábio Cruz, vai levar argumento semelhante: o Brasil fornece insumo essencial para a indústria americana de rochas ornamentais, que depois transforma e distribui o produto – quem pagaria a conta seria o consumidor dos EUA.

Segundo a entidade, cerca de 85% das pedras naturais consumidas pelos americanos são importadas, e um quarto desse volume vem do Brasil, principal fornecedor.

A Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), por sua vez, sustenta que os avanços do Brasil no combate à pirataria e na redução do tempo de análise de patentes tornam desatualizado o diagnóstico do USTR.

Fonte: O Globo

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