A Uisa (antiga Usina Itamarati) encerrou a safra 2025/26 com moagem de 7,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 17% em relação ao ciclo anterior, e projeta atingir 7,8 milhões de toneladas na temporada atual. Segundo o CEO José Fernando Mazuca Filho, a companhia ampliou sua moagem de 4,8 milhões de toneladas em 2021 para 7,8 milhões previstas neste ano, crescimento de 3 milhões de toneladas em cinco anos, equivalente à capacidade de uma usina e meia de porte médio no Brasil.
O avanço também se refletiu na produtividade agrícola. A média dos últimos cinco anos foi de 90 toneladas por hectare, chegando a 93 t/ha na última safra e com expectativa de alcançar 100 t/ha no ciclo atual. Os resultados são atribuídos a um programa de R$ 900 milhões em investimentos voltado à modernização industrial, eficiência operacional e aumento da produtividade, aliado a uma estratégia rigorosa de controle de custos diante da alta dos fertilizantes e da pressão sobre os preços do açúcar e do etanol.
No desempenho financeiro, a Uisa registrou receita de R$ 1,86 bilhão, crescimento de 2,8%, enquanto o Ebitda alcançou R$ 941,9 milhões, alta de 17,3%. A companhia ainda reverteu o prejuízo do ciclo anterior e fechou a safra com lucro líquido de R$ 65 milhões. Para a temporada atual, a expectativa é de um bom resultado financeiro sustentado pelo maior volume produzido, apesar da perspectiva de margens mais apertadas em razão da queda dos preços.
A irrigação segue como uma das principais apostas para elevar a produtividade. A empresa possui 25 mil hectares preparados para fertirrigação e irrigação de salvamento, com meta de ampliar essa área para quase 40 mil hectares. Já a irrigação plena, atualmente em 1 mil hectares, deve alcançar 5 mil hectares em até seis anos. Segundo a empresa, as áreas irrigadas podem adicionar entre 20 e 40 toneladas por hectare, tornando o investimento altamente atrativo.
Apesar de manter um plano de investimentos de até R$ 3 bilhões em projetos como etanol de milho, biometano e captura e armazenamento de carbono (BECCS), a Uisa decidiu colocar as iniciativas em compasso de espera. Apenas a primeira fase da planta de etanol de milho demandaria até R$ 850 milhões, com capacidade para produzir 450 milhões de litros por ano a partir do processamento de 1 milhão de toneladas de milho. A empresa afirma que juros elevados, preços baixos e incertezas econômicas ainda impedem novos aportes.
O projeto de BECCS segue em fase de estudos e engenharia, após análises sísmicas de mais de 300 quilômetros identificarem uma área adequada para armazenamento de CO₂ em Mato Grosso. Já o projeto de biometano permanece licenciado e estruturado, mas aguarda maior demanda por gás no estado. Mesmo com os investimentos adiados, a direção da Uisa mantém uma visão positiva para o setor sucroenergético e espera um ambiente mais favorável para retomar a agenda de expansão nos próximos seis a 18 meses.
Fonte: Redação Portal Visão Agro – Com informações AgFeed
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